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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43757
Tipo: Dissertação
Título: Ideologias de linguagem na formação de professores: uma etnografia com estudantes guineenses de letras-língua portuguesa no Brasil
Autor(es): Tchuda, Pefna Luis
Primeiro Orientador: Lucena, Maria Inez Probst
metadata.dc.contributor.referee1: Lucena, Maria Inez Probst
metadata.dc.contributor.referee2: Mendes, Edleise
metadata.dc.contributor.referee3: Silveira, Alexandre Cohn da
Resumo: Este trabalho investiga as ideologias de linguagem articuladas nas falas de alunos e alunas guineenses que estão em processo de formação profissional em língua portuguesa no Brasil, em São Francisco do Conde/BA e discute como essas ideologias são construídas, negociadas e coproduzidas a partir de valores atribuídos aos usos de linguagem em práticas situadas desses estudantes. A discussão está inserida no campo da Linguística Aplicada, com apoio em perspectivas da sociolinguística crítica que discute a associação de linguagem à economia política globalizada (Heller, 2010; Heller, Duchenne, 2012; Garcez; Jung, 2021). O estudo é desenvolvido a partir de uma etnografia da linguagem (Garcez; Schulz, 2015; Lucena, 2015; Jung; Silva, 2021), cujas etapas envolveram a observação participante, diário de campo, análise documental e entrevistas realizadas no contexto da pesquisa. Para fins de análise dos dados, foi realizada uma triangulação de dados gerados em cada uma dessas etapas, com a intenção de buscar convergências e divergências entre o modo como as ideologias de linguagem subjacentes às falas e ações de participantes eram produzidas e reproduzidas. Conforme mostram os dados, o português padronizado é, para os/as participantes desta pesquisa, de fato, uma língua privilegiada nos estudos da linguagem, em Guiné-Bissau. No entanto, a estruturação ideológica normatizadora dos recursos comunicativos não conseguiu tirar os traços de línguas locais nas práticas comunicativas dos/as futuros/as professores/as da língua portuguesa que estão estudando português no Brasil. Como demonstram em suas falas, a produção linguística de contexto multilíngue na Guiné-Bissau resulta da variedade do português e da própria realidade social do país. Diante disso, os/as participantes mostram seu descontentamento em relação às políticas linguísticas do Estado-nação guineense que não legitima a variedade do português que engloba a riqueza linguística e cultural encontrada nas práticas comunicativas do seu povo. Em contraposição ao preceito hegemônico e eurocêntrico de ensino e aprendizagem de português, a comunidade dos estudantes guineenses em São Francisco do Conde representa um movimento preocupado em repensar a linguagem como um lugar de construção social, em uma abordagem mais atenta ao povo guineense. Os resultados demonstram que a obrigatoriedade de falar o português ocidentalizado é uma dominação política e ideológica que conduziu e pode continuar conduzindo à supressão de vários saberes da sociedade guineense. Consequentemente, se potencializa a exploração econômica, subordinação de povos em suas identidades, em suas linguagens e conhecimento. Os dados aqui reunidos sobre o que pensam alunos e alunas guineenses ao articularem questões referentes aos usos de linguagem e ao ensino e aprendizagem de português revelam que mesmo os/as participantes tendo sido socializado/as, escolarizado/as e ensinado/as sob rígidas ideologias (monolíngue, padronizada, normativa, colonial etc.), presentes em sua formação em Guiné-Bissau, eles/as, enquanto futuros professores, resistem às hierarquias por elas impostas. Nesse sentido, mostram sua perspicácia em remoldar as práticas de linguagem em seus discursos cotidianos e demonstram estar atentos à construção ideológica de língua, reconhecendo que práticas e políticas educacionais de línguas podem ser desafiadas, aprimoradas e transformadas.
Abstract: This study investigates the language ideologies articulated in the discourse of Guinean students undergoing professional training in Portuguese language education in Brazil, specifically in São Francisco do Conde, Bahia. It examines how these ideologies are constructed, negotiated, and co-produced based on the values attributed to language use in the situated practices of these students. The discussion is situated within the field of Applied Linguistics and draws upon critical sociolinguistic perspectives that explore the relationship between language and the globalized political economy (Heller, 2010; Heller & Duchenne, 2012; Garcez & Jung, 2021). The research adopts a language ethnography approach (Garcez & Schulz, 2015; Lucena, 2015; Jung & Silva, 2021), which involved participant observation, field notes, document analysis, and interviews conducted within the research context. For data analysis, a triangulation of the information generated during each research stage was employed to identify convergences and divergences in how the participants’ discourses and actions reproduced and produced underlying language ideologies. The data reveal that standardized Portuguese is perceived by the participants as a privileged language in language studies in Guinea-Bissau. However, the ideological structuring that attempts to standardize communicative resources has not erased the traces of local languages present in the communicative practices of these future Portuguese language teachers studying in Brazil. As expressed in their discourse, linguistic production in the multilingual context of Guinea-Bissau results from the variation of Portuguese and the country’s broader social reality. In light of this, participants express dissatisfaction with the language policies of the Guinean nation-state, which do not legitimize the local variety of Portuguese that encompasses the linguistic and cultural richness embedded in their people's communicative practices. In opposition to the hegemonic and Eurocentric precepts of Portuguese language teaching and learning, the Guinean student community in São Francisco do Conde represents a movement concerned with rethinking language as a site of social construction, adopting an approach more attuned to the Guinean people. The findings show that the imposition of Westernized Portuguese represents a form of political and ideological domination that has led—and may continue to lead—to the suppression of diverse forms of knowledge within Guinean society. Consequently, it reinforces economic exploitation and the subordination of peoples in terms of their identities, languages, and epistemologies. The data gathered on the perspectives of Guinean students regarding language use and Portuguese language teaching and learning reveal that, although these individuals were socialized, educated, and taught under rigid ideologies (monolingual, standardized, normative, colonial, etc.) during their formation in Guinea-Bissau, they actively resist the hierarchies imposed by such ideologies. As future educators, they demonstrate a keen awareness of the ideological construction of language and show a willingness to reshape language practices in their everyday discourse. They also recognize that language education practices and policies can be challenged, enhanced, and transformed.
Palavras-chave: Sociolinguística
Língua portuguesa - Ensino e aprendizagem
Formação docente
Estudantes estrangeiros - Brasil
Estudantes guineenses - Brasil
CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: UFBA
metadata.dc.publisher.department: Instituto de Letras
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLINC) 
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43757
Data do documento: 30-Abr-2025
Aparece nas coleções:Dissertação (PPGLINC)

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