https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42221| Tipo: | Tese |
| Título: | O corpo como tela, a cidade como arena: as vias do corpo nos filmes Cidade Baixa (2005) e Ó Paí, Ó (2007) |
| Autor(es): | Brito, Jober Pascoal Souza |
| Primeiro Orientador: | Cruz, Décio Torres |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Cruz, Décio Torres |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Santos, Lívia Maria Natália de Souza |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Vieira, Nancy Rita Ferreira |
| metadata.dc.contributor.referee4: | Souza e Silva, Regina Lucia Gomes |
| metadata.dc.contributor.referee5: | Novaes, Claudio Cledson |
| Resumo: | Este trabalho atende a um chamado da rua e da cidade de Salvador ao se apresentarem, recorrentemente no texto cinematográfico, como personagem e protagonista de diversas tramas mediante as quais corpos negros, homossexuais, travestis, idosos, crianças, prostitutas, moradores de rua, crentes, candomblecistas, pastores disputavam o direito de, não só, serem percebidos como acolhidos pelos espaços públicos e culturais em meio ao que se divulgava, já há um tempo, como um processo que a cidade vivenciava a partir de sua espetacularização e daquilo que os gerentes da coisa pública estilizaram – ao sabor imagético e televisivo – como obras de requalificação e políticas de pacificação. Duas produções audiovisuais baianas parecem sintomáticas desse contexto e interessadas em “corpografar” a cidade não no formato mapa, ou seja, de cima, mas que a experimenta, de forma vagabunda e errante, ao rés do chão. Esses filmes são Cidade Baixa, lançado em 2005 por Sérgio Machado, e Ó Paí, Ó, de Monique Gardenberg, de 2007 cujas narrativas invadem o cartão-postal e a intimidade soteropolitanas por vias clandestinas que nos fazem intuir que, na tintura da pele mais preta, na paisagem “coloresca” de suas edificações históricas, no mosaico de pedras que forma seu calçamento, na sensação calorenta, “viadesca”, evanescente do carnaval, essa cidade inscreve uma memória que se vale, muitas vezes, do esquecimento para se prevalecer como tal. A análise dos longas metragens nos levou a perceber a latente dificuldade de enquadramento dos personagens no ambiente urbano, constituindo uma classe de pessoas que não se encaixam no mapa cognitivo moral ou estético do mundo e são tomados como uma ameaça para a noção de pureza, de higiene social aplicada às sociedades. Essas observações trouxeram no seu bojo o desejo de investigar o que é passível a se considerar como um tipo de “microrresistência” a esse processo de expropriação da própria experiência urbana e, em particular, a experiência corporal da cidade. De que forma o cinema baiano contemporâneo registra tais fenômenos e quais sintonias poderíamos elencar, entre as duas obras fílmicas, de modo a estreitar o diálogo com questões que envolvem a pragmática ocupação das cidades através de práticas inventivas do espaço? A conclusão a qual chegamos é que uma “Outra” cidade, opaca, escura, viva se interpõe ao luzidio espetacular; e é, assim, nas brechas, margens e desvios do universo urbano “pacificado” que o “escapável” desta relação desagregadora faz resistir e sobreviver a vagabundagem e a errância como “táticas profanatórias” de ocupação do espaço, operando, nos dois filmes, uma reinvenção do cotidiano. |
| Abstract: | This dissertation responds to a call from the street and the city of Salvador by presenting themselves, recurrently in the cinematographic text, as a character and protagonist of several plots through which black bodies, homosexuals, transvestites, the elderly, children, prostitutes, homeless people, believers , candomblecistas, pastors vied for the right not only to be perceived as welcomed by public and cultural spaces in the midst of what was publicized, for some time, as a process that the city was experiencing from its spectacularization and from what managers of the public thing they stylized - in the image and television flavor - as works of requalification and policies of pacification. Two audiovisual productions from Bahia seem to be symptomatic of this context and interested in embodying the city not in the map format, that is, from above, but in a vague and errant way that experiences it on the ground floor. These films are Cidade Baixa, released in 2005 by Sérgio Machado, and Ó Paí, Ó (2007), by Monique Gardenberg, whose narratives invade the Soteropolitan postcard and intimacy through clandestine ways that make us infer that, in the dyeing of the blacker skin, in the colorful landscape of its historic buildings, in the mosaic of stones that form its pavement, in the warm, gayish, evanescent feeling of carnival, this city inscribes a memory that often uses forgetfulness to prevail as such. The analysis of the feature films led us to perceive the latent difficulty of framing the characters in the urban environment, constituting a class of people who do not fit the moral or aesthetic cognitive map of the world and are taken as a threat to the notion of purity, of social hygiene applied to societies. These observations brought with it the desire to investigate what is likely to be considered as a type of micro-resistance to this process of expropriation of the urban experience itself and, in particular, the bodily experience of the city. How does contemporary Bahian cinema record such phenomena and what attunements could we list, between the two films in order to narrow the dialogue with issues involving the pragmatic occupation of cities through inventive practices of space? The conclusion we reached is that an "Other" city, opaque, dark, and alive stands in the way of the spectacular gleam; and it is, therefore, in the gaps, margins and deviations from the “pacified” urban universe that the “escapable” of this disintegrating relationship makes resisting and surviving wandering and wandering as “profanatory tactics” of space occupation, operating, in both films, a reinvention of daily life. |
| Palavras-chave: | Cidade Baixa Ó Paí, Ó Cidade Cinema Baiano Corpografias Cinema - Bahia Cinema - Aspectos sociais Cidades e vilas no cinema Exclusão social na arte Cidade Baixa (Filme) Ó Paí, Ó (Filme) Cidades e vilas - Aspectos sociais |
| CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
| Sigla da Instituição: | UFBA |
| metadata.dc.publisher.department: | Instituto de Letras |
| metadata.dc.publisher.program: | Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42221 |
| Data do documento: | 14-Ago-2020 |
| Aparece nas coleções: | Tese (PPGLITCULT) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Ata defesa Jober (assinado).pdf | 462,67 kB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir | |
| TESE_-_O_CORPO_COMO_TELA_A_CIDADE_COMO_ARENA_-_JOBER_PASCOAL.pdf | 4,07 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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