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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42110
Tipo: Tese
Título: Dançando na beira: ficções em dança que materializam existências entre o “como” e o “se”
Autor(es): Cordeiro, Leonardo França
Primeiro Orientador: Aquino, Rita Ferreira de
metadata.dc.contributor.referee1: Aquino, Rita Ferreira de
metadata.dc.contributor.referee2: Ferraz, Fernando Marques Camargo
metadata.dc.contributor.referee3: Carvalho, Francis Wilker de
metadata.dc.contributor.referee4: Assis, Kleyson Rosário
metadata.dc.contributor.referee5: Queiroz, Milena Britto de
Resumo: Esta pesquisa abordou processos de criação em artes, em especial em dança, como tratamentos específicos de mundos que nos sensibilizam às diferenças e diferentes modos de existir. Ao se filiar a autoras e autores da chamada “virada ontológica” na antropologia e filosofia contemporânea - que trabalham não só a existência de múltiplas culturas, mas, sobretudo de múltiplas naturezas – a tese dialoga com as noções de limite, contingência, vizinhança e transformação. Enfrentou-se o problema de que nenhum corpo tem acesso ao mundo como coisa em si, ou seja, como substância última e única, e sim que são estabelecidas relações aproximativas, as quais necessitam de noções auxiliares e mediações criativas para materializar mundos e presenças contingentes. Essa condição corporal aproximativa de toda produção de conhecimento estabelece interlocuções com autoras e autores que fazem diferentes usos da ficção como método ou estabelecem arranjos artísticos em suas pesquisas, como Vinciane Despret, Leda Maria Martins, Tiganá Santana, Donna Haraway, Juan José Saer, Marie Bardet, Michel Bernard, Muniz Sodré, Saidiya Hartman, Hans Vaihinger e Eduardo Viveiros de Castro. A investigação aproximou-se, portanto, dos debates contemporâneos no campo da arte, antropologia e da filosofia, com noções de autobiografia ficcional, teoria ficcionária da sensação, fabulação especulativa, narrativas de antecipação e oralituras. A formulação linguística e filosófica “como se” possibilitou a elaboração da noção de Beira como forma de pautar na dança a discussão de mundos como modos e não como substância. Esta tese desenvolveu a noção de Beira enquanto uma proposta ética-estética-política que promove um vão crítico-criativo nas relações de vizinhança, adjacências e aproximações entre experiências e saberes. Da concepção de Beira foi derivada a metodologia do “abeiramento ficcional” e o procedimento artístico-pedagógico das “micromitologias coreográficas”, orientadas pela prudência em perceber que o contrário do ficcional não está no falso ou no verdadeiro, mas no univocal. Ou seja, o contrário do ficcional é reduzir o mundo a um modo único que reivindica pra si o acesso ao real e a verdade. Sendo assim, o dançar na beira se dá por fricções com diferentes regimes de sensibilidade, conjugando de modo indissociável dimensões objetivas e subjetivas, em uma concepção de corpo que é experimentada como um portal ficcional de alteridades. As experimentações ficcionais e friccionais que acontecem no decorrer da tese instauram, ao mesmo tempo, uma rede teórica e uma metodologia de criação, evidenciando a escrita como uma prática, dividida em três partes: Segunda margem, Terceira margem e Primeira margem. Em cada uma delas, a argumentação ganha diferentes modulações: uma produção ensaística dividida em oito seções; uma dança em registro audiovisual e um conjunto de 20 micromitologias coreográficas. Estas operações flexionam, em diferentes arranjos compositivos, a noção de Beira como possibilidade de sustentar um pensamento em dança a partir de pressupostos artísticos, em diálogo com outras áreas de conhecimento e com implicações transformadoras para a prática artística da criação, ensino e pesquisa.
Abstract: This research looked at creative processes in the arts, especially dance, as specific treatments of worlds that sensitize us to differences and different ways of existing. By affiliating itself with authors of the so-called “ontological turn” in contemporary anthropology and philosophy - who work not only on the existence of multiple cultures, but above all of multiple natures - the thesis dialogues with the notions of limit, contingency, neighborhood and transformation. It confronted the problem that no body has access to the world as a thing in itself, that is, as an ultimate and unique substance, but rather that approximate relationships are established, which require auxiliary notions and creative mediations to materialize contingent worlds and presences. This approximate bodily condition of all knowledge production establishes interlocutions with authors who make different uses of fiction as a method or establish artistic arrangements in their research, such as Vinciane Despret, Leda Maria Martins, Tiganá Santana, Donna Haraway, Juan José Saer, Marie Bardet, Michel Bernard, Muniz Sodré, Saidiya Hartman, Hans Vaihinger and Eduardo Viveiros de Castro.The research therefore approached contemporary debates in the field of art, anthropology and philosophy, with notions of fictional autobiography, fictional theory of sensation, speculative fabulation, anticipatory narratives and oral readings.The linguistic and philosophical formulation “as if” made it possible to elaborate the notion of Edge as a way of using dance to discuss worlds as modes and not as substance.This thesis developed the notion of Edge as an ethical-aesthetic-political proposal that promotes a critical-creative gap in neighborly relations, adjacencies and approximations between experiences and knowledge. From Edge´s conception came the methodology of “fictional approach” and the artistic-pedagogical procedure of “choreographic micromythologies”, guided by the prudence of realizing that the opposite of the fictional is not in the false or the true, but in the univocal. In other words, the opposite of the fictional is to reduce the world to a single mode that claims access to the real and the truth.As such, dancing on the edge takes place through frictions with different regimes of sensibility, combining objective and subjective dimensions in an inseparable way, in a conception of the body that is experienced as a fictional portal to otherness.The fictional and frictional experiments that take place throughout the thesis establish both a theoretical network and a creative methodology, showing writing as a practice, divided into three parts: Second margin, Third margin and First margin.In each of them, the argument takes on different modulations: an essay production divided into eight sections; a dance in audiovisual record and a set of 20 choreographic micromythologies. These operations flex, in different compositional arrangements, the notion of Edge as a possibility of sustaining dance thinking based on artistic presuppositions, in dialog with other areas of knowledge and with transformative implications for the artistic practice of creation, teaching and research.
Palavras-chave: Dança
Processos de criação
Ficção
Beira
Micromitologia coreográfica
Dança - Filosofia
Dança - Aspectos antropológicos.
Corpo humano (Filosofia)
Sentidos e sensações na arte
Linguagem corporal na arte
Criação (Literária, artística, etc.)
CNPq: Dança
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: UFBA
metadata.dc.publisher.department: Escola de Dança
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Dança (PPGDANCA)
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42110
Data do documento: 7-Fev-2025
Aparece nas coleções:Tese (PPGDANCA)

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