Resumo:
Pensar (e fazer) de outro modo foi sempre a opção que tivemos os pesquisadores que se dedicam à Língua Espanhola no Brasil, porque essa língua não ocupa lugar de prestígio no cenário acadêmico, apesar de ser a língua oficial majoritária da América Latina. Ademais, a Língua Espanhola tem uma representação de ser língua de brancos, quando também é expressão de povos indígenas e negros. Dessa forma, o artigo problematiza a representação de discursos e de ações que estejam no Norte ou no Sul, entendidos como espaços de poder que nomeiam pessoas e línguas, mas fecha a discussão afirmando que o Espanhol não é uma língua homogênea e nem hegemônica. A Interculturalidade é a base epistemológica da discussão, mas da maneira como está sendo debatida em espaços literalmente do Sul, subsidiando pesquisas em Linguística Aplicada que se afinem com projetos decoloniais. Para dar visibilidade à proposta, o artigo apresenta alguns resultados de pesquisas interculturais, que tomam como referência dois aspectos que comprovam a forma de pensar (e fazer) de outro modo: o Espanhol como língua de imigrantes e de pessoas negras.