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Title: Imagens indígenas em movimento: história, cultura e cosmovisão nos cinemas Huni Kuin, Kuikuro e Mbya-Guarani
Authors: Nunes, Karliane Macedo
???metadata.dc.contributor.advisor???: Oliveira, Marinyze Prates de
Keywords: Cinema indígena;Vídeo nas aldeias;Interculturalidade;Saber-poder;Descolonização do conhecimento
Issue Date: 24-Nov-2020
Abstract: Esta tese foi estruturada a partir de dois eixos: de um lado, busquei mostrar como o par saber-poder articulou-se na América Latina de modo a subalternizar as populações indígenas, situando-as como povos “menores”, sem conhecimento e sem história. No Brasil, as políticas e instituições estatais, bem como o conhecimento produzido nos centros de saber nutriram-se dessa lógica binária e excludente - em que o “um/mesmo” (homem branco ocidental) foi construído como o total oposto do “outro” (as populações indígenas) -, tendo colaborado, em momentos e de modos diferentes, com a elaboração de um repertório de discursos e imagens equivocadas e estereotipadas em torno dos povos indígenas. O segundo eixo refere-se a uma tentativa de mapeamento do contexto de emergência do chamado cinema indígena, no qual diferentes povos tornam-se protagonistas no processo de elaboração de suas imagens e narrativas, cujo marco histórico, no Brasil, remonta ao final da década de 1980 e vem sendo desenvolvido de modo mais sistemático pela ONG Vídeo das Aldeias. Já me transformei em imagem (2008, Huni Kuin), Os Kuikuro se apresentam, O manejo da câmera (2007, Kuikuro) e Bicicletas de Nhanderu (2011, Mbyá-guarani) foram os filmes escolhidos para a análise, levando em consideração seus aspectos históricos, culturais e sociocósmicos. Os modos de vida indígenas - com suas concepções de mundo, suas resistências ao modelo separatista do conhecimento dominante e dos modos de vida engendrados pelo capitalismo -, parecem encontrar no formato audiovisual um potente aliado de enunciação, de elaboração de si e de diálogo com o mundo não-indígena. Trata-se de filmes que mobilizam questões pulsantes em torno de temas como contra-narrativas, cultura, interculturalidade, encontros, transformações e natureza, podendo funcionar como potentes instrumentos a favor de uma descolonização do conhecimento. Tanto o pensamento indígena quanto a potência de seu cinema parecem estar na intensidade dos encontros (mito e história, tradição e modernidade, corpos e tecnologias, índios e não- índios), e na elaboração de formas de vida que, ao invés de negar, integram os muitos outros com os quais se relacionam, nutrindo uma possibilidade de viver com, numa postura afirmativa da vida. Para pensar tais questões, este trabalho, de caráter multidisciplinar, mobiliza um aparato crítico-teórico oriundo dos Estudos Culturais, Estudos Pós-coloniais e Estudos Subalternos, inspirados num discurso de base pós- estruturalista.
This thesis was structured based on two axis: I tried to show how the pair knowledge- power was articulated in Latin America in order to subordinate the indigenous populations, placing them as "smaller" people without knowledge or history. In Brazil, the state policies and institutions, and also the knowledge produced by the centres of knowledge was nurtured by this binary and excluding logic - in which the same (western white man) was constructed as the exact opposite of the "other" (the indigenous populations) - , having collaborated, in different moments and in different ways, with the creation of a repertoire of stereotypical and misleading discourses and images surrounding the indigenous peoples. The second axis refers to an attempt to map the emergency context of what is called indigenous cinema, in which different indigenous people became protagonists in the process of elaboration of their own images and narratives. It's historical landmark in Brazil is from the end of the 1980's and has been systematically developed by the NGO Videos das Aldeias. Já me transformei em imagem (2008, Huni Kuin), Os Kuikuro se apresentam, O manejo da câmera (2007, Kuikuro) e Bicicletas de Nhanderu (2011, Mbyá-guarani) were the films chosen for analyses, taking into account its historical, cultural and sociocosmic aspects. The ways of life of the people's, with their world views and resistance to the separatist model of dominant knowledge and the ways of life promoted by capitalism - , seem to have found in the audiovisual format a strong enunciation ally, of elaboration of self and the dialogue with the non-indigenous world. These are films that mobilize important questions around topics such as counter-narratives, culture, interculturality, encounters, transformations, nature, working as powerful instruments in favor of a decolonization of thought. The power of indigenous thinking and it's cinema seem to be in the intensity of encounters (myth and history, tradition and modernity, bodies and technology, indigenous and non-indigenous) and in the elaboration of ways of life which, instead of denying, integrate the many others with which they establish relationships, nurturing a possibility of co-living, a affirmative posture towards life. In order to think such questions, this work of a multicultural character, mobilizes a critical theoretical apparatus of the Culture Studies, Postcolonial Studies and Subaltern Studies inspired in a discourse with a post structuralist base.
URI: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32438
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