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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44468
Tipo: Dissertação
Título: Perfil ocupacional e transtornos mentais comuns entre trabalhadores moradores de favelas, Salvador/BA, 2023- 2025.
Autor(es): Prestes, Julia Fernandes Cavalcanti
Primeiro Orientador: Cremonese, Cleber
metadata.dc.contributor.referee1: Cremonese, Cleber
metadata.dc.contributor.referee2: Ramos, Dandara de Oliveira
metadata.dc.contributor.referee3: Araújo, Tânia Maria de
Resumo: Introdução: As comunidades urbanas ou favelas são territórios historicamente ocupados na tentativa de garantir o direito à moradia dentro dos centros urbanos para trabalhadores em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em sua maioria tratam-se de pessoas negras, que atravessam as grandes cidades para ocupar postos de trabalho precarizados em busca da sobrevivência nos centros urbanos. Nos últimos dez anos ocorreram mudanças que ampliaram o cenário de precarização no mercado de trabalho brasileiro, tais como: a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização, a entrada da economia de plataforma e a crise econômica gerada pela COVID-19. É sabido que a informalidade e a precariedade laboral expõem os trabalhadores a diversos desfechos adversos à saúde, em especial, aos transtornos mentais comuns. Apesar de presença no cotidiano das cidades, o perfil ocupacional e a prevalência de transtornos mentais entre trabalhadores residentes em favelas ainda é pouco estudado na literatura. Objetivo: Descrever o perfil sócio-ocupacional e estimar a prevalência de transtornos mentais comuns e determinantes associados em trabalhadores(as) moradores de favelas de Salvador/BA, 2023-2025. Método: Foi realizado um estudo epidemiológico de corte transversal aninhado à coorte do projeto Intervenções Sanitárias para a Prevenção da Leptospirose Urbana. Foram entrevistados trabalhadores(as) de 18 a 70 anos, em cinco comunidades urbanas/favelas de Salvador, Bahia, entre 2023 e 2025. Para coleta de dados foram utilizados questionários estruturados, previamente validados. O desfecho foi avaliado a partir do SRQ-20 e foram considerados como ponto de corte ≥ 8 respostas afirmativas para pessoas do sexo feminino e ≥ 6 para as do sexo masculino. Os dados foram coletados por meio de visitas domiciliares, com uso de celulares e da plataforma REDCap. O modelo teórico foi composto por variáveis independentes sociodemográficas e ocupacionais. A análise de dados foi feita através do software R e RStudio, versão 3.6.0+. Medidas de frequência absolutas e relativas foram estimadas para as variáveis independentes e para o desfecho. O teste Qui-Quadrado e o Teste Exato de Fisher foram utilizados para avaliar a heterogeneidade entre os grupos. A Regressão de Poisson (com razões de prevalência [RP] e com intervalos de 95% de confiança [IC95%]) foi utilizada para verificar os determinantes associados ao desfecho. Relevância teórica e o critério estatístico (p≤0,10) basearam seleção de variáveis do modelo multivariado final. Por fim, a amostra foi estratificada por tipo de vínculo de trabalho. O perfil socio-ocupacional e a prevalência de transtornos mentais comuns dos trabalhadores informais foram descritos e apresentados em formato de tabelas. O estudo foi aprovado pelo Conselho de Ética do Instituto de Saúde Coletiva, em 21 de novembro de 2023, sob CAAE 75382123.0.0000.5030, e Número do Parecer 6.515.557, e todos os participantes assinaram o TCLE. Resultados: Foram entrevistados 587 trabalhadores(as), dentre os quais 50,9% eram do sexo feminino e 29% tinham 40 e 49 anos. Na amostra, 97% da se autodeclarou enquanto negra (preta ou parda). No que tange ao perfil ocupacional, 56,5% eram trabalhadores formais e 41,2% informais. O vínculo laboral mais prevalente foi o CLT (40,7%), seguido pelo autônomo informal (26,3%). Dentre as ocupações desempenhadas, a área de comércio, serviços e alimentação foi a que mais alocou trabalhadores (26%). A prevalência de TMC foi de 14,0% (22,7% dentre os trabalhadores informais). A análise ajustada mostrou associações estatisticamente significantes com estar empregado informalmente (RP = 2,31; IC95%: 1,12–4,83), medo de perder o emprego sempre/quase sempre (RP = 2,32; IC95%:1,05 –4,70). Como fator de proteção, trabalhadores entre 40 e 49 anos apresentaram 57% menos TMC do que aqueles entre 18-29 anos (RP = 0,43; IC95%:0,19–0,93). Dentre os trabalhadores(as) informais, uma menor faixa etária, ser o principal cuidador(a) de criança, renda laboral < R$1.000,00, ≤3 anos na ocupação principal foram determinantes que estiveram associados a uma ampliação do adoecimento. Conclusões: Prevalência geral de TMC foi de 14% entre os trabalhadores(as) moradores de favelas. Entretanto, estar empregado informalmente e ter medo constante de perder o emprego foram exposições importantes para a ampliação do adoecimento. Já pertencer a faixa etária de 40 a 49 anos foi um foi fator de proteção para esses trabalhadores. Os achados contribuem para trazer visibilidade à trabalhadores invisíveis nos estudos da Saúde do Trabalhador. Além disso, pode fomentar políticas públicas que melhorem as condições de trabalho, de vida e à saúde mental dos residentes de favelas.
Abstract: Introduction: Informal settlements, also known as communities or favelas are territories historically occupied in an attempt to secure the right to housing within urban centers for workers living in situations of socioeconomic vulnerability. It is the residents of these communities who cross large cities to take on precarious jobs in the struggle for survival. Over the past decade, changes have taken place that have increased vulnerability in the Brazilian labor market, such as the Labor Reform, the Outsourcing Law, the rise of the platform economy, and the economic crisis caused by COVID-19. Extensive evidence demonstrates that labor informality and employment precarity constitute significant risk factors for adverse health outcomes, particularly common mental disorders (CMDs). Despite their visible presence in urban landscapes, the occupational characteristics and mental health burden among workers of these communities remain critically understudied in the academic literature. Objective: To characterize the sociodemographic and occupational profile and estimate the prevalence of common mental disorders (CMDs) and associated determinants among informal settlement-dwelling workers in Salvador, Bahia State, Brazil (2023–2025). Methods: We conducted a cross-sectional epidemiological study nested within the Urban Leptospirosis Prevention Sanitary Interventions cohort. Structured interviews were administered to workers aged 18–70 years across five informal urban settlements (favelas) in Salvador, Bahia State, Brazil (2023–2025). Data were collected using previously validated structured questionnaires. The outcome was assessed using the Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20), with a cutoff of ≥8 positive responses for women and ≥6 for men. Data were collected through household visits using mobile phones and the REDCap platform. The theoretical framework incorporated sociodemographic and occupational independent variables. Data analysis was conducted in R/RStudio (v3.6.0+), with absolute and relative frequency measures for all variables. Chi-square and Fisher’s exact tests were used to evaluate group heterogeneity. Poisson regression (reporting prevalence ratios [PR] with 95% confidence intervals [95% CI]) to identify outcome-associated determinants. Multivariate model selection followed dual criteria: theoretical relevance and statistical threshold (p≤0.10). Final analyses included stratification by employment type, with detailed tabulation of informal workers’ sociodemographic-labor profiles and common mental disorder (CMD) prevalence. The study was approved by the Ethics Committee from the Institute of Collective Health on November 21, 2023, under CAAE 75382123.0.0000.5030 and Opinion Number 6.515.557. All participants signed an informed consent form (TCLE). Results: The study surveyed 587 workers, with 50.9% identifying as female and 29% aged between 40 and 49 years. Strikingly, 97% of participants self-identified as Black (encompassing both preta [Black] and parda [Brown/Mixed] racial categories under Brazil’s classification system). Regarding occupational characteristics, formal workers constituted 56.5% of the sample compared to 41.2% engaged in informal employment. The most prevalent employment arrangement was the CLT regime (Brazil’s consolidated labor laws for formal contracts; 40.7%), followed by informal self-employment (26.3%). The commerce/services/food sector employed the largest proportion of workers (26%). Overall prevalence of common mental disorders (CMDs) stood at 14.0%, with significantly higher rates among informal workers (22.7%). Adjusted analysis revealed three critical findings: First, the informal employment status showed a strong positive association (PR=2.31; 95%CI:1.12-4.83), indicating more than double the risk compared to formal workers. Second, persistent job insecurity ("always/almost always" fearing job loss) had also a positive association with the outcome (PR=2.32; 95%CI:1.05-4.70). Conversely, workers aged 40-49 years demonstrated a negative association with CMDs compared with the younger group (PR=0.43; 95%CI:0.19-0.93). Among informal workers, younger age groups, primary childcare responsibility, monthly earnings below R$1,000 (≈US$200 PPP), and shorter job tenure (≤3 years in the current position) all showed a trend toward higher prevalence. Conclusion: The study revealed a 14% overall prevalence of common mental disorders (CMDs) among slum-dwelling workers. Our research identified two positive associations with increased mental health burden: informal employment status and persistent fear of job loss, both significantly associated. Conversely, workers aged 40-49 years demonstrated a protective effect against CMDs. These results provide crucial epidemiological evidence for an often invisible workforce in occupational health research - informal workers in precarious urban settlements. The data underscore an urgent need for public policies addressing: (1) labor conditions in informal sectors, (2) socioeconomic vulnerabilities, and (3) targeted mental health interventions for marginalized urban communities. Keywords: Cross-Sctional Studies, Slum, Occupational Groups, Occupational Health, Mental Disorders
Palavras-chave: Estudos Transversais
Favelas
Categorias de Trabalhadores
Saúde do Trabalhador
Transtornos Mentais
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: ISC-UFBA
metadata.dc.publisher.department: Instituto de Saúde Coletiva - ISC
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-ISC)
Tipo de Acesso: Acesso Restrito
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44468
Data do documento: 29-Ago-2025
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