https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44454| Tipo: | Tese |
| Título: | KANT E A PROBLEMÁTICA DO MUNDO REAL |
| Título(s) alternativo(s): | KANT AND THE PROBLEMATIC OF THE REAL WORLD |
| Autor(es): | BRAGA, DAVID BARROSO |
| Primeiro Orientador: | ITAPARICA, ANDRÉ LUIS MOTA |
| metadata.dc.contributor.referee1: | ITAPARICA, ANDRÉ LUIS MOTA |
| metadata.dc.contributor.referee2: | SILVA FILHO , WALDOMIRO JOSÉ DA |
| metadata.dc.contributor.referee3: | SALVIANO , JARLEE OLIVEIRA SILVA |
| metadata.dc.contributor.referee4: | AZEVEDO JUNIOR , IVÂNIO LOPES DE |
| metadata.dc.contributor.referee5: | SMITH, PLÍNIO JUNQUEIRA |
| Resumo: | No intuito de resolver os conflitos da razão consigo mesma, conflitos estes que se manifestam nas contradições (Widersprüche) dos castelos metafísicos, Kant empreende uma autoanálise da razão a fim de saber o que ela pode ou não conhecer independentemente dos sentidos e da experiência. Como resultado dessa autoanálise, ele chega à conclusão de que a razão humana só pode conhecer a priori a forma do conhecimento, quer dizer, sua peculiar maneira de conhecer objetos. Disso deriva um novo modo de conceber o mundo real, haja vista o ser humano não poder conhecer as coisas como elas são em si mesmas, mas apenas as coisas como elas aparecem (als Erscheinungen), portanto, modificadas pela maneira humana de conhecer. Apesar desse novo modo de conceber o mundo real expressar cabalmente o Idealismo Transcendental, tese basilar da Crítica da Razão Pura, ele parece ter como fundamento um outro mundo real que não aparece, mas que é pressuposto como fiador da realidade fenomênica: o mundo das coisas em si mesmas (Ding an sich selbst). Todavia, como pressupor a realidade das coisas em si mesmas significa tanto incidir no Realismo Transcendental (transzendentaler Realism) quanto fazer ressurgir os conflitos da razão, Kant, no “Quarto Paralogismo” da primeira edição da Crítica (1781), defende que a realidade dos objetos exteriores pode ser testificada pela mera consciência (percepção imediata), já que o ser humano não lida com coisas em si, mas apenas com fenômenos. Como nessa perspectiva não é preciso sair da mera consciência (bloßen Selbstbewußtsein) para provar a realidade dos fenômenos exteriores (KrV, A370; A375), os críticos do Idealismo Transcendental (transzendentalen Idealism) viram nessa tese uma grande semelhança entre este idealismo e o idealismo berkeleyano, donde acusarem a filosofia kantiana de ser solipsista. Diante disso, Kant, na “Refutação do Idealismo”, texto inserido na segunda edição da Crítica (1787), afirma que a determinação empírica da existência (experiência interna) pressupõe algo permanente (Beharrliche) exterior (que não é uma representação) como sua condição de possibilidade, daí ele concluir que “a consciência da minha própria existência é, simultaneamente, uma consciência imediata da existência de outras coisas exteriores a mim (anderer Dinge außer mir)” (KrV, B276). Considerando-se essa manifesta oscilação entre defender o mundo real exterior ora como constituído exclusivamente por fenômenos (“Quarto Paralogismo” de 1781), ora como pressupondo coisas em si mesmas (“Refutação do Idealismo”) e, assim, ensejando também a existência de um mundo exterior constituído por coisas em si, a presente tese tem por objetivo evidenciar uma estrutura conceitual conflitante no cerne da filosofia transcendental (Transzendentalphilosophie) que a impossibilita de determinar efetivamente a existência de um mundo de objetos reais exteriores. Isso implica concluir que a filosofia teórica de Kant incide necessária e involuntariamente no ceticismo, uma vez que não permite emitir um juízo seguro acerca de objetos reais verdadeiramente exteriores. |
| Abstract: | In order to resolve the conflicts of reason with itself, conflicts that manifest in the contradictions (Widersprüche) of metaphysical castles, Kant undertakes a self-analysis of reason to determine what it can or cannot know independently of the senses and experience. As a result of this self-analysis, he concludes that human reason can only know a priori the form of knowledge, that is, its peculiar way of knowing objects. This leads to a new way of conceiving the real world, as human beings cannot know things as they are in themselves, but only things as they appear (als Erscheinungen), thus modified by the human way of knowing. Although this new way of conceiving the real world fully expresses Transcendental Idealism, the fundamental thesis of the Critique of Pure Reason, it seems to rest on another real world that does not appear but is presupposed as the guarantor of phenomenal reality: the world of things in themselves (Ding an sich selbst). However, as presupposing the reality of things in themselves means both engaging in Transcendental Realism (transzendentaler Realismus) and resurrecting the conflicts of reason, Kant, in the Fourth Paralogism of the first edition of the Critique (1781), argues that the reality of external objects can be testified by mere consciousness (immediate perception), since human beings do not deal with things in themselves but only with phenomena. As, from this perspective, it is not necessary to leave mere consciousness (bloßen Selbstbewußtsein) to prove the reality of external phenomena (KrV, A370; A375), critics of Transcendental Idealism (transzendentalen Idealismus) saw in this thesis a striking similarity between this idealism and Berkeleyan idealism, from which they accused Kant’s philosophy of being solipsistic. In response, Kant, in the Refutation of Idealism, a text included in the second edition of the Critique (1787), states that the empirical determination of existence (internal experience) presupposes something permanent (Beharrliche) external (which is not a representation) as its condition of possibility. From this, he concludes that “the consciousness of my own existence is, simultaneously, an immediate consciousness of the existence of other things exterior to me (anderer Dinge außer mir)” (KrV, B276). Considering this manifest oscillation between defending the external real world now as being constituted exclusively by phenomena (Fourth Paralogism of 1781), now as presupposing things in themselves (Refutation of Idealism), and thus also implying the existence of an external world constituted by things in themselves, the present thesis aims to highlight a conflicting conceptual structure at the core of Transcendental Philosophy (Transzendentalphilosophie) that prevents it from effectively determining the existence of a world of real external objects. This implies concluding that Kant’s theoretical philosophy inevitably and involuntarily leads to skepticism, as it does not allow for a secure judgment about truly external real objects. |
| Palavras-chave: | Idealismo transcendental Coisa em si Fenômeno Mundo Real |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA |
| Sigla da Instituição: | UFBA |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPGF) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44454 |
| Data do documento: | 23-Mai-2025 |
| Aparece nas coleções: | Tese (PPGF) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| David Braga - TESE.pdf | DAVID BRAGA - TESE: KANT E A PROBLEMÁTICA DO MUNDO REAL | 1,78 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.