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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44159
Tipo: Trabalho de Conclusão de Curso
Título: Relato de caso: Caso de DILI por carbamazepina em paciente portador de colestase crônica associado a heterozigose do gene ABCB4 e Lúpus eritematoso sistêmico
Autor(es): Vasconcellos, Paula Bittencourt
Primeiro Orientador: Schinoni, Maria Isabel
Resumo: Introdução: A mutação genética heterozigota do gene ABCB4 está associada a uma predisposição aumentada para doenças hepáticas colestáticas, incluindo lesão hepática induzida por drogas (DILI) com padrão colestático. Métodos: Este trabalho é um estudo de relato de caso sobre uma apresentação de colestase crônica exacerbada por quadro de hepatotoxicidade induzida por drogas (DILI) associada a presença de mutação heterozigota no gene ABCB4. Relato de caso: Paciente, 27 anos, sexo feminino, natural da Bahia, Brasil, sem doença hepática prévia conhecida, evoluindo durante 8 meses com 3 episódios de: febre alta (38,8-40°C), icterícia, colúria, prurido intenso, pápulas eritematosas difusas, linfonodomegalia cervical, artralgia, náusea, acolia fecal (um episódio), crise epilética (um episódio) e epistaxe (dois episódios). Nos exames laboratoriais apresentava elevação de aminotransferases cerca de 3 xVLN, fosfatase alcalina cerca de 5xVLN, gama GT mais de 10 xVLN, bilirrubina total de 4,78, bilirrubina direta de 3,63, proteinúria de 1.188mg, anemia normocítica e normocrômica, inversão da relação albumina/globulina. Na história clínica não possui antecedentes: de consumo de chás, AINEs, analgésicos, suplementos, drogas ilícitas, bebida alcoólica e medicamentos de uso contínuo. Na investigação etiológica apresentava: sorologias virais negativas, autoanticorpos negativos, FAN 1:160 (Padrão Nuclear Pontilhado), ferritina mais de 10 xVLN, coombs direto e indireto positivos, teste genético com mutação heterozigota do gene ABCB4 e RM de abdome superior com evidencia de fígado com dimensões no limite superior da normalidade associado a esplenomegalia, discreta ectasia focal segmentar de alguns segmentos biliares esparsos no lobo direito e mínima irregularidade das vias biliares intra-hepáticas, inespecíficas. A paciente apresentava diagnóstico provável de lúpus eritematoso sistêmico e apresentou um quadro de convulsão, sendo medicada com carbamazepina 400mg no dia no 25 de abril de 2024, evoluindo na sequência com aumento importante de GGT 8.152 após 12 dias de iniciada a medicação e com redução gradual sustentada após a sua suspensão. Realizada biópsia hepática que mostrou: discreta fibrose de alguns espaços porta, discreta reação ductular, discreta infiltração inflamatória mononuclear de poucos espaços porta, metaplasia biliar de hepatócitos periportais com expressão de citoqueratina 7 na imunoistiquímica, sugestivo de colestase crônica e possível colestase intra-hepática familiar progressiva tipo 3 (PIFC 3). Discussão: A mutação genética heterozigota do gene ABCB4 está associada a uma predisposição aumentada para doenças hepáticas colestáticas, incluindo lesão hepática induzida por drogas (DILI) com padrão colestático. O gene ABCB4 codifica a proteína MDR3, responsável pelo transporte de fosfatidilcolina para a bile; sua deficiência, mesmo em estado heterozigoto, pode comprometer a proteção dos ductos biliares contra o efeito detergente dos sais biliares, facilitando dano hepático em situações de estresse, como exposição a fármacos colestáticos.[1-4] A literatura demonstra que portadores de variantes heterozigotas do ABCB4 apresentam maior risco de desenvolver DILI, especialmente com medicamentos conhecidos por causar colestase, como a carbamazepina. Estudos de coorte e séries de casos identificaram que mutações heterozigotas em ABCB4 podem resultar em quadros de colestase medicamentosa, frequentemente com achados histológicos de fibrose portal, ductopenia e infiltrado inflamatório portal, além de redução ou ausência de expressão canalicular de MDR3.[4-6] O padrão de lesão é distinto de outras doenças biliares e pode evoluir para fibrose significativa mesmo sem sintomas biliares clássicos. Portanto, a presença de uma mutação heterozigota em ABCB4 é um fator de risco reconhecido para lesão hepática colestática induzida por medicamentos, incluindo carbamazepina, e deve ser considerada na avaliação etiológica de pacientes com colestase inexplicada após uso de fármacos.[4][7] O diagnóstico precoce pode impactar o manejo e o prognóstico, sendo a triagem genética indicada em casos selecionados. Conclusão: Se apresenta um caso de hepatotoxicidade por carbamazepina com aumento importante de GGT desencadeada pela presença da mutação genética heterozigota do gene ABCB4 que pode alterar o transporte biliar de drogas neste tipo de colestase.
Palavras-chave: DILI
ABCB4
CNPq: CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: UFBA
metadata.dc.publisher.department: Faculdade de Medicina da Bahia
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/44159
Data do documento: 3-Dez-2025
Aparece nas coleções:Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) - Programa de Residência Médica (Faculdade de Medicina)

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