https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43859| Tipo: | Tese |
| Título: | Círculos de mulheres no Brasil: frestas e vazamentos dos sagrados femininos |
| Título(s) alternativo(s): | Women’s circles in Brazil: cracks and seepages of feminine sacredness |
| Autor(es): | Ribeiro, Thainá Soares |
| Primeiro Orientador: | Tavares, Fátima Regina Gomes |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Tavares, Fátima Regina Gomes |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Radl-Philipp, Rita Maria |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Bonet, Octavio Andres Ramon |
| metadata.dc.contributor.referee4: | Maso, Tchella Fernandes |
| metadata.dc.contributor.referee5: | Greco, Lucrecia Raquel |
| Resumo: | Este trabalho apresenta os agenciamentos dos Círculos de Mulheres no Brasil, um movimento de espiritualidade feminina não institucional, organizado por mulheres e para mulheres, predominantemente cisgênero, brancas e de classe média. No entanto, a pesquisa, realizada em Salvador e região metropolitana, identificou um movimento mais diverso, com a presença e o protagonismo de mulheres negras e abertura para a participação de mulheres trans. Para compreender essas dinâmicas, realizei o trabalho de campo em Círculos em diferentes formatos de vivências: online, presencial, e acompanhei alguns perfis no Instagram. No total, foram oito Círculos presenciais em Salvador e região metropolitana, cinco online, o acompanhamento de vinte perfis no Instagram e conversas aprofundadas com sete mulheres. Nesses espaços, os “sagrados femininos” de diversas tradições vazam, e o feminino é a força orientadora das vidas, experienciado como uma qualidade “selvagem e intuitiva”. Neste modo de exercer a espiritualidade, o corpo é o caminho e a manifestação do sagrado, agenciado por rituais e práticas como a “ginecologia natural e autônoma”. Os processos do corpo, o período fértil, a menstruação, etc., são agenciados a partir dos ciclos da lua, das estações e do ciclo circadiano. Ao mesmo tempo, esses ciclos da vida agenciam os ciclos do corpo. A partir dessa observação, elaborei a categoria "corpos cíclicos e permeáveis", pois para essas mulheres, os ciclos do corpo e a ciclicidade da vida são fruto de agenciamentos que se interpenetram. Por ser uma espiritualidade corporificada, utilizo a categoria analítica "feminino sagrado" em articulação com a categoria nativa "sagrado feminino", para compreender os múltiplos arranjos da relação corpo-psique-comunidade, transcendente e imanente, nessas experiências. Embora alguns Círculos de Mulheres tenham sido absorvidos pelo mercado de terapias alternativas, existem Círculos politizados que se estabelecem como uma inspiração, como outra forma de viver. Nesses espaços, os corpos (com ou sem útero), conectados aos ciclos — expansão (primavera, verão, dia, luas crescente e cheia) e recolhimento (outono, inverno, noite, luas minguante e nova) — estabelecem um ritmo de vida que se contrapõe ao capitalismo. Este, por sua vez, exige uma expansão contínua que resulta na destruição de ecossistemas. Ao valorizar a intuição e o "saber incorporado aos ciclos da vida", esses Círculos oferecem frestas por onde podem vazar outras formas de habitar e conhecer o mundo, distintas daquelas impostas pelo modo hegemônico. |
| Abstract: | This work presents the agencements (enactments/activations) of Women's Circles in Brazil, a non-institutional movement of feminine spirituality organized by women and for women, predominantly cisgender, white, and middle-class. However, the research, conducted in Salvador and its metropolitan area, identified a more diverse movement, with the presence and protagonism of Black women and openness to the participation of trans women. To understand these dynamics, I carried out fieldwork in Circles across different formats of gatherings: online, in-person, and I monitored several profiles on Instagram. In total, there were eight in-person Circles in Salvador and the metropolitan area, five online Circles, the monitoring of twenty Instagram profiles, and in-depth conversations with seven women. In these spaces, the “sacred feminines” from various traditions overflow, and the feminine principle acts as the guiding force of life, experienced as a “wild and intuitive” quality. In this way of exercising spirituality, the body is the path and the manifestation of the sacred, enacted through rituals and practices such as “natural and autonomous gynecology.” The body’s processes—the fertile period, menstruation, etc.—are enacted based on the cycles of the moon, the seasons, and the circadian rhythm. Simultaneously, these cycles of life enact the cycles of the body. Based on this observation, I developed the category "cyclic and permeable bodies," as for these women, the body’s cycles and the cyclicity of life are the result of interwoven agencements (enactments). Due to this being an embodied spirituality, I utilize the analytical category "feminine sacred" in articulation with the native category "sacred feminine," to understand the multiple arrangements of the body-psyche-community relationship—transcendent and immanent—within these experiences. Although some Women’s Circles have been absorbed by the alternative therapy market, there are politicized Circles that establish themselves as an inspiration, offering an alternative way of living. In these spaces, bodies (with or without a uterus), connected to the cycles—expansion (spring, summer, day, waxing and full moons) and contraction/recollection (autumn, winter, night, waning and new moons)—establish a rhythm of life that counters capitalism. Capitalism, in turn, demands continuous expansion that results in the destruction of ecosystems. By valuing intuition and the "knowledge embodied in life's cycles," these Circles offer fissures through which other forms of inhabiting and knowing the world can emerge, distinct from those imposed by the hegemonic mode. |
| Palavras-chave: | Círculos de Mulheres Sagrados femininos Femininos sagrados Espiritualidade corporificada |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
| Sigla da Instituição: | UFBA |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43859 |
| Data do documento: | 10-Nov-2025 |
| Aparece nas coleções: | Tese (PPGA) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Thainá Ribeiro. Tese.pdf | 6,22 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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