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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43123
Tipo: Tese
Título: A literatura proverbial de Carolina Maria de Jesus e Beatriz Nascimento
Título(s) alternativo(s): The proverbial literature of Carolina Maria de Jesus and Beatriz Nascimento
Ìwé-Ìṣe ọ̀we ti Carolina Maria de Jesus àti Beatriz Nascimento
Literatura ya maluwa ma makumbi kia Carolina Maria de Jesus ye Beatriz Nascimento
Autor(es): Rocha, Aldaíce Damasceno
Primeiro Orientador: Santos, José Henrique de Freitas
metadata.dc.contributor.referee1: Lima, Maria Nazaré Mota de
metadata.dc.contributor.referee2: Souza, Ana Lucia Silva
metadata.dc.contributor.referee3: França, Denise Carrascosa
metadata.dc.contributor.referee4: Fonseca, Silvana Carvalho da
metadata.dc.contributor.referee5: Santos, José Henrique de Freitas
Resumo: A presente tese propõe o reconhecimento da literatura proverbial como forma legítima de textualidade literária e manifestação estética da literatura negra brasileira. Fundamentada nas matrizes estético-filosóficas africanas, especialmente nas tradições bantu e yorùbá, a pesquisa analisa as obras Provérbios (1963), de Carolina Maria de Jesus, e Todas [as] Distâncias (2015), de Beatriz Nascimento, propondo sua leitura como expressões de oralitura, na acepção de Leda Maria Martins (1997; 2021) e Félix Ayoh’Omidire (2020), e de inscritura, conforme Queiroz (2007), todas enraizadas na ancestralidade enquanto categoria teórico-crítica, de Eduardo Oliveira (2007; 2019). A questão central gira em torno de como as inscrições proverbiais – historicamente marginalizadas – podem ser compreendidas e legitimadas como literatura, tensionando os critérios hegemônicos de literariedade. Para tanto, adota-se o conceito de encruzilhada epistêmica como campo de análise, articulando saberes ancestrais, cosmovisões africanas e epistemes negras para reposicionar os provérbios como expressão de uma ética e estética ancestral. Propõe-se, ainda, a noção de aquilombamento literário como tempo-espaço de convergência estética e política, no qual vozes negras se inscrevem na circularidade do tempo, na escuta dos tambores e na reinvenção de epistemologias negras. A análise se desenvolve em quatro movimentos: (1) as inscrições proverbiais como inscrituras bantu permeadas por saberes yorùbá; (2) a lírica proverbial atravessada pela musicalidade do tambor; (3) a centralidade do Orí como orientação poético-filosófica; e (4) a narrativa proverbial caroliniana como expressão de uma poética da maternagem e da coletividade. A metodologia, enraizada na epistemologia negra e ancorada na ancestralidade como categoria macroanalítica, convoca o xirê literário, ativando uma rede conceitual que articula a oralitura como literatura-terreiro, como ensina Henrique Freitas (2016). A tessitura crítica mobiliza conceitos como cruzo de Martins (1997; 2021), migração fractal de Abreu Paxe (2016), pilhagem epistêmica de Freitas (2016), além de memória, afetividade, corpOralidade, Ori(s)ciência, maternagem, feminismo ancestral de Anikeade Omidire (2018) e a matripotência segundo Oyèwùmí (2021). A leitura é guiada pelo Orí, orientada pelo ritmo dos tambores e pela corporeidade do verbo, assumindo a circularidade do tempo como fundamento de leitura crítica e criação de sentidos. A tese propõe a reescrita do lugar da literatura proverbial na historiografia literária brasileira, inscrevendo-a como uma (est)ética da experiência negra, coletiva e ancestral, na qual corpo, memória e palavra giram em espirais de saber e resistência. Ao validar estéticas negras como pilares de reexistência, a pesquisa reconfigura fronteiras literárias e amplia as experiências estéticas da genealogia literária brasileira.
Abstract: This thesis proposes the recognition of proverbial literature as a legitimate form of literary textuality and an aesthetic manifestation of Brazilian Black literature. Grounded in African aesthetic-philosophical matrices, especially in Bantu and Yorùbá traditions, the research analyzes the works Provérbios (1963), by Carolina Maria de Jesus, and Todas [as] Distâncias (2015), by Beatriz Nascimento, proposing their reading as expressions of oraliture, in the sense of Leda Maria Martins (1997; 2021) and Félix Ayoh’Omidire (2020), and of inscripture, according to Queiroz (2007), all rooted in ancestrality as a theoretical-critical category, from Eduardo Oliveira (2007; 2019). The central question revolves around how proverbial inscriptions – historically marginalized – can be understood and legitimized as literature, challenging hegemonic criteria of literariness. For this, the concept of epistemic crossroads is adopted as an analytical field, articulating ancestral knowledge, African worldviews and Black epistemes to reposition proverbs as expressions of an ancestral ethics and aesthetics. It also proposes the notion of literary aquilombamento as a time-space of aesthetic and political convergence, where Black voices inscribe themselves in the circularity of time, in the listening of drums and in the reinvention of Black epistemologies. The analysis unfolds in four movements: (1) proverbial inscriptions as Bantu inscriptures permeated by Yorùbá knowledge; (2) proverbial lyricism traversed by the musicality of the drum; (3) the centrality of the Orí as a poetic-philosophical orientation; and (4) the Carolinian proverbial narrative as an expression of a poetics of mothering and collectivity. The methodology, rooted in Black epistemology and anchored in ancestry as a macro-analytical category, summons the literary xirê, activating a conceptual network that articulates oraliture as literature-terreiro, as taught by Henrique Freitas (2016). The critical weaving mobilizes concepts such as the cruzo of Martins (1997; 2021), the fractal migration of Abreu Paxe (2016), the epistemic looting of Freitas (2016), as well as memory, affectivity, corpOrality, Ori(s)cience, mothering, the ancestral feminism of Anikeade Omidire (2018) and the matripotence according to Oyèwùmí (2021). The reading is guided by the Orí, oriented by the rhythm of the drums and by the corporeality of the word, assuming the circularity of time as a foundation for critical reading and meaning-making. The thesis proposes rewriting the place of proverbial literature in Brazilian literary historiography, inscribing it as an (est)ethics of Black, collective and ancestral experience, in which body, memory and word spin in spirals of knowledge and resistance. By validating Black aesthetics as pillars of reexistence, the research reshapes literary boundaries and expands the aesthetic experiences of the Brazilian literary genealogy.
Palavras-chave: Literatura Negra
Literatura Proverbial
Oralitura
Ancestralidade
Literatura-terreiro
CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: UFBA
metadata.dc.publisher.department: Instituto de Letras
metadata.dc.publisher.program: Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) 
Citação: Damasceno Rocha, A. (2025). A literatura proverbial de Carolina Maria de Jesus e Beatriz Nascimento (Tese de doutorado). Universidade Federal da Bahia.
Tipo de Acesso: Acesso Restrito/Embargado
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43123
Data do documento: 30-Jul-2025
Aparece nas coleções:Tese (PPGLITCULT)

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Aldaíce Damasceno Rocha. Tese doutorado..pdf
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