https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42021| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Mulheres, intersecções e narrativas sobre relações conjugais com pessoas adoecidas pelo consumo de álcool |
| Título(s) alternativo(s): | WOMEN, INTERSECTIONS, AND NARRATIVES ABOUT CONJUGAL RELATIONSHIPS WITH INDIVIDUALS AFFLICTED BY ALCOHOL CONSUMPTION |
| Autor(es): | Costa, Laiza Carvalho |
| Primeiro Orientador: | SOUSA, MARIA LIDIANY TRIBUTINO DE |
| metadata.dc.contributor.referee1: | SANTOS, Adriano Maia dos |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Bleicher, Taís |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Andrade, Aline Teles de |
| Resumo: | Este estudo surge da compreensão de que existe uma intersecção entre ser mulher e estar em uma relação conjugal com uma pessoa adoecida pelo uso de álcool. Nesse sentido, adota-se o "ser mulher" como uma construção de múltiplas identidades, cuja performance de atos temporalmente estilizados forja e dá sentido ao gênero. Contudo, essa multiplicidade é afetada por estruturas interseccionais presentes nas regras, normas e condutas sociais, que podem conferir privilégios ou desigualdades. Nessas estruturas, a raça apresenta-se como um marcador perpendicular, que atravessa outras intersecções, como classe, idade, gênero, expressões religiosas e relações conjugais. Em paralelo, há a presença cultural e milenar do álcool, uma substância psicoativa associada a momentos de prazer e sociabilidade. No entanto, seu consumo crônico, associado a múltiplos fatores, pode resultar no adoecimento pelo uso de álcool. Esse processo de adoecimento gera mudanças físicas, mentais e sociais, afetando tanto o indivíduo consumidor quanto sua família. É nesse contexto que encontramos a intersecção que fundamenta este estudo. As mulheres que mantêm relações conjugais com pessoas adoecidas pelo uso de álcool assumem frequentemente o papel de cuidadoras, e o convívio conjugal repercute em suas vidas por meio de sobrecarga, sofrimento físico e mental, além de experiências de violência. Assim, torna-se necessário compreender, a partir da percepção dessas mulheres, como esses dois eixos — que se sobrepõem a outras estruturas interseccionais — impactam suas vidas e a dinâmica de permanência nessas relações. Dessa forma, este trabalho teve como objetivo compreender as percepções de mulheres acerca do convívio conjugal com pessoas adoecidas pelo consumo de álcool. Trata-se de um estudo qualitativo e exploratório, fundamentado na análise crítica do discurso de narrativas de história de vida. O cenário da pesquisa foi o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas III do município de Vitória da Conquista. Participaram do estudo sete mulheres, com os seguintes critérios de inclusão: ser mulher acima de dezoito anos que mantém ou manteve relação conjugal com pessoa adoecida pelo consumo de álcool. Como critério de exclusão, considerou-se mulheres que tiveram relacionamentos com duração inferior a um ano. Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas em profundidade e semiestruturadas, em sala reservada, com duração média de uma hora cada, gravadas em áudio. Posteriormente, as entrevistas foram transcritas, codificadas e analisadas à luz da teoria social da interseccionalidade. As narrativas das mulheres expressam percepções de sobrecarga, sofrimento emocional, tentativas de permanência na relação e situações de violência nas tentativas de rompimento. Além disso, as estruturas interseccionais mostram-se como condicionantes de vulnerabilidades que oprimem as mulheres, resultando na permanência nas relações, mesmo diante do desejo de liberdade. Conclui-se que é imprescindível uma atuação intersetorial para promover o cuidado integral, a proteção e a manutenção da vida dessas mulheres, bem como criar mecanismos de resiliência que ofereçam oportunidades de recomeço e sustento familiar. |
| Abstract: | This study arises from the understanding that there is an intersection between being a woman and being in a conjugal relationship with someone affected by alcohol use disorder. In this sense, womanhood is adopted as a construction of multiple identities, whose performance of temporally stylized acts forges and gives meaning to gender. However, this multiplicity is influenced by intersectional structures present in social rules, norms, and behaviors, which can provide privileges or inequalities. Within these structures, race emerges as a perpendicular marker that intersects with other dimensions such as class, age, gender, religious expressions, and conjugal relationships. Parallel to this, there is the cultural and millennia-old presence of alcohol, a psychoactive substance associated with moments of pleasure and sociability, yet its chronic use, combined with multiple factors, can result in alcohol use disorder. This process of becoming ill leads to physical, mental, and social changes that affect both the individual consumer and their family. It is within this context that we find the intersection that grounds this study. Women in conjugal relationships with individuals affected by alcohol use disorder often assume the role of caregivers, and this conjugal coexistence impacts their lives through overload, physical and mental suffering, and experiences of violence. Thus, it is necessary to understand, from the perspective of these women, how these two parallels, which overlap with other intersectional structures, affect their lives and the dynamics of maintaining these relationships. Therefore, this study aimed to understand women's perceptions of conjugal life with individuals affected by alcohol consumption. This is a qualitative, exploratory study based on the critical analysis of life history narratives. The research setting was the Psychosocial Care Center for Alcohol and Other Drugs III in the municipality of Vitória da Conquista. Seven women participated in this research, with inclusion criteria being women over eighteen years of age who are or have been in a conjugal relationship with someone affected by alcohol use disorder, and the exclusion criterion being women who had been in a relationship for less than one year. Data collection was conducted through in-depth and semi-structured interviews in a private room, with an average duration of one hour each, recorded using a voice recorder. Subsequently, these interviews were transcribed, coded, and analyzed using the social theory of intersectionality. The women's narratives express perceptions of overload, emotional suffering, attempts to maintain the relationship, and experiences of violence in attempts to end it. Furthermore, intersectional structures are shown as determinants of vulnerabilities that oppress women, resulting in the maintenance of relationships despite their desire for freedom. It is concluded that intersectoral action is essential to promote comprehensive care, protection, and the preservation of women's lives, as well as to provide resilience mechanisms that offer opportunities for a fresh start and family support for these women. |
| Palavras-chave: | Mulheres Alcoólicos Relações Familiares Cônjuges Alcoolismo Enquadramento Interseccional |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia, Instituto Multidisciplinar em Saúde, Campus Anísio Teixeira |
| Sigla da Instituição: | UFBA/IMS/CAT |
| metadata.dc.publisher.department: | Instituto Multidisciplinar em Saúde (IMS) |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC - IMS) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42021 |
| Data do documento: | 11-Abr-2024 |
| Aparece nas coleções: | Dissertação (PPGSC - IMS) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| mulheres, intersecções e narrativas relacionamentos adoecidos álcool.pdf | 3,38 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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