https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41769| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Desvendando o complexo de espécies da abelha de fogo Oxytrigona tataira (Smith, 1863) (Hymenoptera, Apidae, Meliponini): uma abordagem integrativa |
| Título(s) alternativo(s): | Unraveling the species complex of the fire bee Oxytrigona tataira (Hymenoptera, Apidae, Meliponini): an integrative approach |
| Autor(es): | Ramos, Ramon Lima |
| Primeiro Orientador: | Schnadelbach, Alessandra Selbach |
| Segundo Orientador: | Oliveira, Favízia Freitas de |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Schnadelbach, Alessandra Selbach |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Zanella, Fernando Cesar Vieira |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Francoy, Tiago Mauricio |
| Resumo: | Apesar da crise que a taxonomia vem enfrentando, com recursos financeiros e de pessoal reduzidos, e um enorme déficit na formação de novos taxonomistas, todos os anos, em todo o mundo, são descritas e nomeadas milhares de espécies. Grande parte desse progresso é possível graças à incorporação e integração das novas ferramentas tecnológicas aos trabalhos taxonômicos descritivos tradicionais. Após mais de 250 anos da hegemônica utilização de dados morfológicos, atualmente novos métodos e dados para delimitar, descobrir e identificar espécies vêm ganhando bastante espaço no campo da taxonomia tradicional, incluindo análises moleculares, biogeográficas e ecológicas, sendo complementares às morfológicas. Esta referida abordagem é definida como taxonomia integrativa (combinação entre diferentes fontes de evidências). A abordagem integrativa é particularmente útil no estudo dos hotspots de biodiversidade, como diversos ambientes das regiões tropicais, bem como no estudo de grupos que, reconhecidamente, possuem número elevado de espécies crípticas, como é o caso das abelhas eussociais sem ferrão (Tribo Meliponini). Um caso interessante é o da abelha de fogo Oxytrigona tataira (Smith, 1863), a qual possui a espécie O. cagafogo como seu sinônimo júnior, no entanto o pesquisador que propôs a sinonímia não mencionou quais evidências o levaram a tomar tal decisão. Além disso, a descrição original dessa espécie é bastante sucinta e a indicação da localidade tipo incompleta, constando apenas o país em que os espécimes foram coletados, o caso o Brasil. A espécie em questão é considerada por diferentes taxonomistas como uma espécie de taxonomia complexa, status duvidoso e carente de uma reavaliação taxonômica. Nesse sentido, utilizamos uma abordagem integrativa, combinando o estudo morfológico, a análise de morfometria geométrica de asa e a modelagem de distribuição de espécies, para desvendar a verdadeira identidade de Oxytrigona tataira. Para o estudo morfológico foram estudados 923 espécimes de Oxytrigona, provenientes de 14 estados brasileiros. Foi examinado também o Lectótipo de Trigona tataira Smith, 1863 (= O. tataira). O material tipo de Trigona cagafogo Müller, 1874 (= O. cagafogo) não pode ser examinado, pois encontra-se perdido. Contudo, foram estudados espécimes coletados em Blumenau - Santa Catarina, localizado a aproximadamente 40Km da localidade tipo de O. cagafogo, que corresponde a Itajaí - Santa Catarina. Para a análise da morfometria geométrica das asas, foi utilizada a asa anterior direita de 10 operárias de 47 colônias amostradas, perfazendo um total de 470 asas analisadas. Para a modelagem de distribuição de espécies, foram utilizados os registros de ocorrência de todos os espécimes de Oxytrigona estudados, o que correspondeu a 106 registros únicos de ocorrência e, as variáveis ambientais foram baixadas de banco de dados online. Todos os espécimes examinados no presente estudo, foram amostrados em locais cuja ocorrência natural de O. tataira e O. cagafogo foi relatada na literatura. No estudo morfológico, identificamos três morfotipos distintos. O morfotipo 1 está restrito ao norte do Nordeste e norte do Tocantins (reconhecidos como região Norte), ocorrendo nos domínios fitogeográficos da Caatinga e Cerrado e também em enclaves de Mata Atlântica que existem nos brejos de altitudes no Ceará. O morfotipo 2 se distribui amplamente no domínio fitogeográfico da Mata Atlântica, desde o Sul do país até o sul do Nordeste, no entanto, no estado da Bahia e de Minas Gerais, ele adentra nos domínios da Caatinga e Cerrado. E o morfotipo 3 ocorre no Sudeste e Sul do país, presente no Sudeste em área de ecótono (Mata Atlântica - Cerrado) e no Sul em área de Mata Atlântica. Os resultados da análise do estudo da morfometria geométrica de asa (Análise de Variáveis Canônicas, Distância de Mahalanobis e Funções Discriminantes), corroboram o estudo morfológico, com a delimitação de três grupo (três morfotipos). Bem como com os resultados da modelagem de distribuição de espécies, apesar de ser observado uma pequena sobreposição entre parte dos nichos dos morfotipos 1 e morfotipo 2. O morfotipo 1 corresponde a espécie Oxytrigona tataira Smith (1863), cujos espécimes estudados concordam perfeitamente com a discrição fornecida por Smith (1863) e também com o espécime tipo de Trigona tataira Smith, 1863, o qual está depositado no BMNH. O morfotipo 2 corresponde a espécie Oxytrigona cagafogo (Müller,1874), a qual difere-se de forma consistente da O. tataira, e concordando morfologicamente perfeitamente com a descrição fornecida por Müller (1874), para a qual propomos a revalidação do seu status taxonômico como espécie válida. E o morfotipo 3 que possui diferenças consistentes com relação à duas anteriores e não concorda com a descrição de nenhuma espécie de Oxytrigona formalmente descrita até o presente, e, portanto, estamos propondo no presente estudo como uma espécie nova para Oxytrigona. |
| Abstract: | Despite the crisis currently faced by taxonomy, with limited financial and human resources and a significant gap in the training of new taxonomists, thousands of species are described and named every year across the globe. Much of this progress is made possible thanks to the incorporation and integration of new technological tools into traditional descriptive taxonomic work. After more than 250 years of hegemonic use of morphological data, new methods and data for delimiting, discovering, and identifying species are now gaining considerable ground in the field of traditional taxonomy, including molecular, biogeographic, and ecological analyses, which are complementary to morphological ones. This approach is referred to as integrative taxonomy (a combination of different sources of evidence). The integrative approach is particularly useful in the study of biodiversity hotspots, such as various environments in tropical regions, as well as in the study of groups that are known to contain a high number of cryptic species, such as the eusocial stingless bees (Tribe Meliponini). One interesting case is that of the fire bee Oxytrigona tataira (Smith, 1863), which has the species O. cagafogo as its junior synonym. However, the researcher who proposed this synonymy did not mention the evidence that led to such a decision. Additionally, the original description of the species is quite brief, and the indication of the type locality is incomplete, mentioning only the country where the specimens were collected—in this case, Brazil. This species is considered by different taxonomists to be of complex taxonomy, of doubtful status, and in need of taxonomic re-evaluation. In this context, we used an integrative approach, combining morphological study, geometric wing morphometrics analysis, and species distribution modeling to reveal the true identity of Oxytrigona tataira. For the morphological study, 923 Oxytrigona specimens from 14 Brazilian states were examined. The lectotype of Trigona tataira Smith, 1863 (= O. tataira) was also examined. The type material of Trigona cagafogo Müller, 1874 (= O. cagafogo) could not be examined, as it is lost. However, we studied specimens collected in Blumenau, Santa Catarina, located approximately 40 km from the type locality of O. cagafogo, which is Itajaí, Santa Catarina. For the geometric wing morphometrics analysis, the right forewing of 10 workers from 47 sampled colonies was used, totaling 470 wings analyzed. For the species distribution modeling, occurrence records of all studied Oxytrigona specimens were used, totaling 106 unique occurrence records, and environmental variables were downloaded from online databases. All specimens examined in this study were sampled in locations where the natural occurrence of O. tataira and O. cagafogo has been reported in the literature. In the morphological study, we identified three distinct morphotypes. Morphotype 1 is restricted to the northern Northeast and northern Tocantins (recognized as part of the North region), occurring in the Caatinga and Cerrado phytogeographic domains and also in Atlantic Forest enclaves found in high-altitude humid forests in Ceará. Morphotype 2 is widely distributed in the Atlantic Forest domain, from the South of the country to the southern Northeast; however, in the states of Bahia and Minas Gerais, it extends into the Caatinga and Cerrado domains. Morphotype 3 occurs in the Southeast and South of the country, present in the Southeast in ecotone areas (Atlantic Forest - Cerrado), and in the South in Atlantic Forest areas. The results of the geometric wing morphometrics analysis (Canonical Variables Analysis, Mahalanobis Distance, and Discriminant Functions) support the morphological study, delimiting three groups (three morphotypes), as do the results of the species distribution modeling, despite a slight overlap between part of the niches of morphotype 1 and morphotype 2. Morphotype 1 corresponds to the species Oxytrigona tataira Smith (1863), whose studied specimens match perfectly with the description provided by Smith (1863) and also with the type specimen of Trigona tataira Smith, 1863, which is deposited at the BMNH. Morphotype 2 corresponds to the species Oxytrigona cagafogo (Müller, 1874), which consistently differs from O. tataira, and morphologically agrees perfectly with the description provided by Müller (1874), for which we propose the revalidation of its taxonomic status as a valid species. Morphotype 3 presents consistent differences from the other two and does not match the description of any formally described Oxytrigona species to date, and therefore, in this study, we propose it as a new species within the genus Oxytrigona. |
| Palavras-chave: | Anthophila Morfometria geométrica de asas Modelagem de nicho ecológico Neotropical Taxonomia |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ZOOLOGIA CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::ZOOLOGIA::TAXONOMIA DOS GRUPOS RECENTES |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
| Sigla da Instituição: | UFBA |
| metadata.dc.publisher.department: | Instituto de Biologia |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (antigo Programa de Pós Graduação em Diversidade Animal-PPGDA) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Restrito/Embargado |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41769 |
| Data do documento: | 30-Ago-2021 |
| Aparece nas coleções: | Dissertação (PPGBioEvo) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Dissertação de Ramon Lima Ramos (2021)_ Desvendando o complexo de espécies da abelha de fogo Oxytrigona tataira.pdf Restricted Access | Dissertação de Ramon Lima Ramos | 4,13 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir Solicitar uma cópia |
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