Resumo:
Desde 1981, quando os primeiros casos de AIDS chamaram a atenção das
autoridades de Saúde Pública dos EUA até hoje, a Síndrome da
Imunodeficiência percorreu uma longa trajetória. A sua história confunde-se
com as ambigüidades das narrativas midiáticas que traduziam a imensa
perplexidade científica diante de uma doença que não se conseguia entender
ou explicar. Não seria leviano afirmar que a Indústria Hollywoodiana, embasada
em tais discursos, em muito contribuiu para a construção imagética da AIDS
como representação da peste; uma doença a atingir de forma punitiva o
exercício do sexo e o uso de drogas. As décadas de oitenta e noventa do
século XX foram bombardeadas por produções cinematográficas com enredos
apelativos, misóginos, homofóbicos, heterocêntricos que ratificavam noções
como as de grupo de risco e promiscuidade e criavam um elo “indissolúvel”
entre estes e as orientações homoafetivas. A idéia de que a indústria
cinematográfica acompanha os “gritos da Ciência”, projetando nas telas aquilo
que se produz em laboratórios, cai por terra quando confrontamos o novo perfil
de contaminados por HIV com os argumentos presentes em filmes hodiernos
sobre o tema.