Resumo:
Este trabalho busca investigar os processos da construção tradicional na Chapada Diamantina por meio da análise dos ofícios que usam o barro como matéria-prima, no município de Morro do Chapéu (BA), a exemplo de oleiros e adobeiros. Tais atividades, conformando um importante conjunto de saberes e fazeres tradicionais, evidenciam a dinâmica da economia do patrimônio cultural imaterial, contribuindo para a formação territorial no sertão baiano. Identificamos os territórios simbólicos dos trabalhadores do barro do território de identidade e de Morro do Chapéu a fim de perceber quais elementos Contemporâneos estão promovendo as dinâmicas de desterritorialização dos ofícios tradicionais e quais elementos resistem no espaço, promovendo a transmissão dos ofícios. Para isso, realizamos uma análise documental das informações do inventário dos mestres artífices da construção tradicional da Chapada Diamantina, realizado pela UFBA e IPHAN entre os anos de 2014 e 2017. Também utilizamos de forma secundária as
metodologias de análise de discurso e conteúdo, história oral e descrição densa. A pesquisa nos permitiu evidenciar o protagonismo do patrimônio cultural imaterial resistente nos saberes dos trabalhadores da construção tradicional desde o período pré-colonial e da escravidão, empregados na Chapada Diamantina para a edificação das estruturas físicas que, em parte, são certificadas como bens do patrimônio cultural material. Por meio da observação das disputas entre os modelos de produção tradicional e contemporâneo no campo dos territórios simbólicos também conseguimos compreender outras dinâmicas de territorialização, desterritorialização e reterritorialização das estruturas da construção tradicional na Chapada Diamantina e em Morro do Chapéu.