Resumo:
Esta pesquisa apresenta a tese de que a ancestralidade cura, de que o mito, atualizado nas inscrições indígenas no mundo contemporâneo por meio de livros, filmes, pinturas, instalações, linguagens variadas e hibridizadas, promove um gesto de equilíbrio e de saúde para a terra, englobando todos os seres, humanos e não humanos, visíveis e invisíveis. Propõe, ainda, que a construção de espaços de tradução intercultural é o gesto que promove essa possibilidade de cura, assentado na escuta atenta e afetada e em um novo olhar que alcança a miração - a visão do que normalmente não se vê - em um lugar que não é mais indígena nem não indígena, mas uma terceira margem, possível a partir da criação e da fruição. Para isso, analisa livros e filmes dos Tikmu’un (Maxakali), povo indígena de Minas Gerais, dos Huni Kuin (Kaxinawá), do Acre, e um conjunto de obras plásticas de artistas indígenas latino- americanos reunidas na exposição Mira!