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Title: Percepção dos pescadores artesanais e marisqueiras sobre os acidentes de trabalho com animais aquáticos e seus itinerários terapêuticos
Authors: Aguiar, Tatiane Silva
???metadata.dc.contributor.advisor???: Pena, Paulo Gilvane Lopes
???metadata.dc.contributor.advisor-co???: Accioly, Miguel da Costa
Keywords: Animais marinhos peçonhentos;Pesquisa qualitativa;Antropologia da saúde;Acidentes de trabalho
Issue Date: 3-Feb-2020
Abstract: Acidentes causados por animais aquáticos constituem um problema de saúde pública, pela frequência e pela morbidade que apresentam. Esses acidentes se relacionam diretamente com as atividades de pesca e mariscagem artesanal, e quando acontecem nessas circunstâncias, se configuram em acidentes de trabalho. Pescadores e marisqueiras artesanais são acometidos diariamente por acidentes de tal natureza, porém, a bibliografia escassa e a pouca atenção dos poderes públicos em relação ao tema acabam por reforçar a invisibilidade desta problemática em relação a saúde do trabalhador. Os objetivos desse trabalho foram descrever e analisar as percepções dos pescadores artesanais e marisqueiras a respeito dos animais causadores de acidentes de trabalho, sobre sintomas e lesões causados por tais acidentes e seus itinerários terapêuticos. A metodologia empregada foi a qualitativa de cunho etnográfico, com análise das falas de 20 trabalhadores envolvidos na pesca artesanal e na mariscagem, entre homens e mulheres, tendo as coletas de campo ocorrido entre os meses de junho de 2016 a março de 2017. Os acidentes acontecem durante os processos de trabalho ou no percurso até os locais de pesca e mariscagem. As lesões possuem características perfuro cortantes e de envenenamentos, tendo como sintomas mais presentes, dor desproporcional ao tamanho da lesão e necrose. São relatadas incapacidades laborais temporárias e permanentes, que causam traumas psicofísicos e importante impacto econômico e social para esta população. Embora não sejam os únicos a causar acidentes, os animais causadores de acidentes mais graves e mais frequentes foram os niquins (Thalassophryne nattereri e Scorpaena plumieri), as arraias do gênero Dasyatis e os bagres da família Ariidae. Observou-se que os pescadores se dividem entre medo e respeito com relação aos acidentes e aos animais causadores, pois, embora temam e conheçam as consequências dos acidentes com animais aquáticos, também sabem de sua importância para a manutenção dos equilíbrios ecológicos que provêm a pesca para seu sustento. Não raramente adotam estratégias de normalização dos riscos e amparados em seus conhecimentos tradicionais, entram em processo de auto culpabilização. Nos itinerários terapêuticos dos acidentados, se configuram como importantes alternativas no tratamento dos acidentes a automedicação e os tratamentos populares. A falta de Unidades de saúde locais é agravada pelas dificuldades relacionadas ao relativo isolamento que logram as comunidades, localizadas em ilhas. Fazendo com que os acidentados por animais aquáticos tenham que realizar grandes deslocamentos na busca pelo tratamento dos sintomas e lesões e gravando os quadros e as sequelas deixadas por tais acidentes A relação com o serviço médico formal é pautada por crença e descrença, sendo queixas frequentes a falta de estrutura das unidades de saúde e a desinformação dos profissionais no atendimento aos casos. Os caminhos trilhados pelos pescadores artesanais e marisqueiras, acidentados por animais marinhos no exercício de sua função, na busca pela cura e tratamento, têm forte relação com seus contextos socioeconômicos. Pois, embora tais acidentes provoquem recorrentes atendimentos nas unidades de saúde das comunidades e redondezas, os acidentados ainda sofrem com a falta de acesso aos serviços e com o despreparo dos profissionais de saúde para lidar com os casos. Se fazem necessárias ações integradas a nível de saúde, educação em saúde do trabalhador e políticas públicas inclusivas que, voltadas para o entendimento dos contextos socioculturais destas populações, abordem responsavelmente tal problemática.
URI: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/31396
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