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Title: A cor das elites: questão racial e pensamento social através da trajetória intelectual de Thales de Azevedo
Authors: Sangiovanni, Ricardo Fagundes
???metadata.dc.contributor.advisor???: Carvalho, Maria Rosário Gonçalves de
Keywords: Raça e Racismo;História da Bahia - 1935-1975;História das Ciências Sociais Bahia/Brasil;Unesco;Thales de Azevedo;Charles Wagley;Donald Pierson;Anísio Teixeira;Alfred Métraux;Anticomunismo;Catolicismo;Columbia University
Issue Date: 16-Jan-2020
Abstract: Esta tese tem como objeto a questão racial na trajetória intelectual do cientista social baiano Thales de Azevedo (1904-95), tomando como foco seu mais famoso livro sobre esse assunto, Les élites de couleur dans une ville brésilienne, traduzido em português como As elites de cor: um estudo de ascensão social, orginalmente publicado em 1953, pela Unesco. Assumindo referencial teórico que remete à sociologia e à história social dos intelectuais, e com base na compilação e análise de um amplo conjunto de fontes documentais de arquivos localizados no Brasil e nos Estados Unidos, o trabalho apresenta e discute as condicionantes políticas, ideológicas, intelectuais, institucionais e religiosas que, imbricadas, conformaram-se no modo como aquele autor descreveu e refletiu sobre a questão racial na Bahia e no Brasil. Dividido em três capítulos, o trabalho discute, inicialmente, as circunstâncias sob as quais se confeccionou o referido livro, com ênfase na agenda político-ideológica da Unesco nos primeiros anos da Guerra Fria, que influenciou as pesquisas sobre relações raciais no Brasil patrocinadas pelo organismo internacional nos anos 1950. A pesquisa evidenciou o interesse manifesto da Unesco em enaltecer uma suposta singularidade benfazeja do contexto racial baiano, ante os cenários norte-americano e sul-africano de segregação racial, levado a cabo pela atuação do antropólogo suíço-americano Alfred Métraux, cuja ingerência sobre a pesquisa realizada por Thales de Azevedo mostrou-se acentuada. A seguir, buscou-se discutir os referenciais científico, ideológico e religioso assumidos por Thales de Azevedo ao longo da década de 1940, a fim de circunscrever agendas que presidiram o olhar que o autor lançaria sobre a questão racial na Bahia na etnografia de que a Unesco lhe encarregara. Restaram evidentes as influências da tese de Donald Pierson da Bahia enquanto “sociedade multiracial de classes” – autor cuja atuação na Bahia, nos anos 1930, é brevemente escrutinada – e da forte mentalidade anticomunista católica na atividade intelectual de Azevedo. Por fim, busca-se estabelecer nexos entre a agenda ideológica anticomunista e modernizadora norte-americana do pós-Segunda Guerra e a atuação política do governo Octavio Mangabeira, no âmbito do convênio entre a Universidade Columbia e o Estado da Bahia para a realização de pesquisas sociais, evidenciando a instrumentalização da questão racial no discurso modernizador-conservador das elites baianas. A pesquisa traz à tona a relação entre a agenda político-ideológica norte-americana, perceptível na atuação do antropólogo Charles Wagley na Bahia, e o discurso de exaltação ao modelo norteamericano de sociedade assumido por Thales de Azevedo ao longo das décadas de 1950 e 1960, escamoteando nexos entre racismo e desigualdade social, até 1975, quando o autor baiano se reposiciona criticamente em relação à questão racial na Bahia e no Brasil.
This thesis aims at the racial question in the intellectual trajectory of the Bahia social scientist Thales de Azevedo (1904-95), focusing on his most famous book on this subject, Les élites de couleur dans une ville brésilienne, translated into Portuguese as elites de cor: um estudo de ascensão social, originally published in 1953, by Unesco. Assuming a theoretical reference of the sociology and social history of intellectuals, and based on the compilation and analysis of a wide set of documentary sources of archives located in Brazil and the United States, this thesis presents and discusses the political, ideological, intellectual, institutional and religious conditions imbricated in the way the author described and reflected on the racial question in Bahia and Brazil. Divided into three chapters, the thesis initially discusses the circumstances under which that book was made, with emphasis on Unesco's political-ideological agenda in the early years of the Cold War, which influenced the research on race relations in Brazil sponsored by the international body in the 1950s. The research evidenced Unesco's manifest interest in exalting a supposedly benign singularity of the Bahian racial context in the face of the North American and South African scenarios of racial segregation, carried out by the Swiss-American anthropologist Alfred Métraux, whose interference on the research performed by Thales de Azevedo was accentuated. Next, we sought to discuss the scientific, ideological and religious references assumed by Thales de Azevedo throughout the 1940s, in order to circumscribe agendas that presided over the author's gaze on the racial question in Bahia in the ethnography Unesco ordered him. The influences of Donald Pierson's thesis of Bahia as a “multi-racial classes society” – author whose performance in Bahia in the 1930s is briefly scrutinized – and the strong catholic anticommunist mentality over Azevedo's intellectual activity remained evident. Finally, we seek to establish links between the anticommunist and modernizing American ideological agenda in the post-Second World War and the political action of the Octavio Mangabeira government, under the agreement between Columbia University and the State of Bahia for social research, evidencing the instrumentalization of the racial question in the modernizing-conservative discourse of the Bahian elites. The research brings to the fore the relationship between the North American political-ideological agenda, perceptible in the work of the anthropologist Charles Wagley in Bahia, and the exaltation to the American model of society assumed by Thales de Azevedo throughout the decade of 1960, bypassing the links between racism and social inequality until 1975, when the Bahian author critically repositioned himself on the racial question in Bahia and in Brazil.
URI: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/31282
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