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dc.contributor.advisorRamalho, Mauro-
dc.contributor.authorVilela, Fernanda de Souza-
dc.creatorVilela, Fernanda de Souza-
dc.date.accessioned2013-08-22T22:55:57Z-
dc.date.available2013-08-22T22:55:57Z-
dc.date.issued2013-08-22-
dc.identifier.urihttp://www.repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/12701-
dc.description.abstractA eficiência dos mecanismos de dispersão e a baixa sobrevivência de sementes e plântulas impõem limites estreitos para o recrutamento de árvores nas florestas tropicais e afetam de maneira importante os padrões espaciais de distribuição das populações e da diversidade nas comunidades ecológicas (Howe 1984; Schupp 1990; Hubbell et al 1999). Janzen (1970) e Connel (1971) caracterizaram a mortalidade de sementes e plântulas próximas aos adultos co-especificos como uma função dependente da densidade, ou seja, o adensamento de sementes e plântulas próximas às árvores matrizes facilitaria os encontros por patógenos, herbívoros e, possivelmente, também aumentaria a competição intra-específica. Portanto, a dispersão eficiente de sementes é uma maneira de aumentar a sobrevivência de sementes e plântulas (hipótese de escape ou fuga). Entretanto, a importância desses fatores e, em particular, as distâncias “ótimas de dispersão” variam entre espécies e dependem das características dos hábitats. Segundo Kageyama & Lepsch-Cunha (2001), o fluxo gênico via pólen e sementes afeta diretamente a estrutura genética das populações de espécies arbóreas tropicais e dependem das distâncias de vôo de polinizadores e de dispersão de sementes pelos animais. Esses autores argumentam que seria possível fazer previsões sobre varibilidade genética de acordo com os padrões gerais de mobilidade desses animais. Estrada e Fleming (1986) também argumentam que, se os vetores de dispersão forem pouco eficientes, a distribuição das sementes nas vizinhanças das árvores maternas leva a uma estruturação genética espacial da população, onde indivíduos próximos tendem a ser mais semelhantes entre si do que indivíduos espacialmente distantes. Nas florestas tropicais, a síndrome de dispersão de sementes mais freqüente é a zoocoria (Howe & Smallwood 1982, Morellato e Leitão-Filho 1996). A persistência desse tipo de interação nas comunidades é controlada pela oferta de recursos alimentares e outros componentes do microhábitat para os animais e pela oferta de dispersores para a planta, além de outros condicionantes ecológicos indiretos (Dirzo & Domingues 1986), tais como a presença de competidores. De acordo com Janzen (1971), a eficiência ecológica da dispersão depende principalmente do número de sementes carregadas e não somente de processos relacionados à quebra de dormência (ingestão por frugívoros), distância e local adequado de deposição. Estudos dos vetores de dispersão de sementes em Lecythidaceae indicam que são dispersas principalmente por morcegos, aves, pequenos roedores e primatas (Prance & Mori 1978, 1983; Mori & Prance 1990, Forget 1992, Peres 1991, Stevenson 2001, Lopes 2007). Os frutos típicos de Lecythidaceae têm pericarpo lenhoso, uma possível resposta evolutiva à predação por animais (Mori & Prance 1981, Barroso et al. 1999). Muitas espécies desta família possuem frutos deiscentes, constituídos por uma urna e um opéculo. Quando amadurecem, liberam o opérculo deixando suas sementes e arilos expostos fixados à urna, ainda presa à árvore. Porém, mesmo antes da deiscência, alguns consumidores de sementes podem coletar esses frutos, morder a casca e consumir o arilo, as sementes ou parte delas (Gamboa-Gaitan 1997). Alguns consumidores de sementes de dossel como algumas aves e primatas, podem derrubar frutos e sementes sob a copa das árvores-matrizes. Além disso, as sementes expostas aderidas os frutos abertos, se não forem coletadas por nenhum animal, também caem sob a copa por barocoria. Esses processos contribuem para o acúmulo de sementes e frutos sob as árvores-matrizes e, neste local, as sementes podem germinar, ficar suscetíveis à predação, patógenos e à dispersão secundária. Dentre as espécies arbóreas de Lecythidaceae da Floresta Atlântica, a biriba (Eschweilera ovata [Cambess] Miers) possui relevância ecológica, sócio-econômica e cultural, pois suas flores e frutos servem de recurso por uma grande variedade de animais e sua madeira é intensamente utilizada na confecção do berimbau e também na construção artesanal de pequenos barcos e casas rústicas. O berimbau é um instrumento musical que foi adotado pelos capoeiristas como o principal regente da orquestra da capoeira. O uso da biriba para a confecção do berimbau é culturalmente tradicional por conferir instrumentos de ótima qualidade. O mesmo acontece em relação da utilização desse recurso para construção de ripas e caibros, pois a madeira é menos suscetível aos ataques de fungos e cupins. Os incentivos ao turismo obtido pelo Estado da Bahia nas últimas décadas aumentaram o comércio do berimbau, que hoje é um símbolo folclórico muito apreciado pelos turistas e também pela comunidade de capoeiristas espalhadas pelo mundo todo. Comerciantes de biriba do Mercado Modelo (centro de comércio de artesanatos regionais) em Salvador-BA, relataram que cerca de 2000 varas de biriba (parte do tronco principal, com cerca de 3 cm de diâmetro) são extraídas por semana por cada grupo de extratores e vendidas no próprio mercado ou exportadas para diversos países. Porém, esse extrativismo acontece dissociado de estratégias de manejo e geralmente é realizado principalmente em áreas não protegidas próximas ao município de Salvador. Embora a densidade de biriba ainda seja relativamente alta nessas áreas, os mesmos extratores e comerciantes relatam que em alguns locais, já não se encontram mais indivíduos produzindo flores e frutos. Essa alta densidade nesses locais muito antropizados, provavelmente está relacionada com a capacidade de rebrota da biriba, porém as taxas crescentes de corte tendem a ultrapassar essa capacidade de regeneração e, sem dúvida, comprometem a reprodução. Esse processo pode também trazer conseqüências cruciais sobre a manutenção da fauna que utiliza as flores e frutos da biriba como recurso, reduzindo por efeito em cascata o tamanho e variabilidade genética nas populações de biriba. Para viabilizar um plano de manejo ecológico sustentável de árvores da Mata Atlântica é imprescindível identificar e quantificar as relações de interdependência com animais polinizadores e dispersores de sementes (Ramalho & Batista 2005). Nas florestas tropicais, como a Mata Atlântica, as interações mutualistas das árvores com animais polinizadores (zoofilia) e dispersores (zoocoria) estão no centro dos mecanismos ecológicos que asseguram a sobrevivência a longo prazo (Silva & Tabarelli 2000). A qualidade ecológica das áreas manejadas ou recuperadas de floresta e seu potencial de auto-manutenção no longo prazo dependem fundamentalmente da persistência e da qualidade das interações mutualistas entre animais e plantas. Faz-se necessário ampliar o conhecimento sobre a ecologia de sementes e plântulas, ou seja, caracterizar fatores ecológicos que afetam as chances de sobrevivência na fase de recrutamento. Neste estudo, a dispersão de sementes e o recrutamento de plântulas de biriba foram investigados em uma área protegida de Mata Atlântica para responder às seguintes perguntas: (1) Quais espécies consomem e dispersam as sementes de biriba? (2) A distância de dispersão afeta a taxa de predação de sementes por invertebrados? (3) Como os modos de dispersão de sementes por vertebrados afetam a formação plântulas de biriba?pt_BR
dc.description.sponsorshipPlantações Michelin do Brasilpt_BR
dc.language.isopt_BRpt_BR
dc.subjectDistribuição espacial de plântulaspt_BR
dc.subjectHipótese de escapept_BR
dc.subjectEschweilera ovatapt_BR
dc.subjectSementes - Dispersãopt_BR
dc.subjectEcologia vegetalpt_BR
dc.titleInfluência da predação e da dispersão de sementes sobre o recrutamento de plântulas de biriba (Eschweilera ovata, Lecythidaceae), na Mata Atlântica, Reserva Ecológica da Michelin, BA.pt_BR
dc.typeDissertaçãopt_BR
dc.description.localpubSalvador, Bahiapt_BR
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