Resumo:
O lítio, um cátion monovalente, é a droga de escolha na terapia do transtorno bipolar
(TB). Seu uso na Medicina começou no século XIX e desde então, seus benefícios
terapêuticos têm sido descritos. Entretanto, apesar da sua eficácia reconhecida, sabese
que ele é um elemento capaz de causar uma série de eventos adversos em vários
sistemas, o que contribui para a descontinuação do tratamento. Dentre os diversos
efeitos colaterais que ele pode provocar, estão as alterações renais e dermatológicas.
Sua toxicidade renal inclui distúrbio na capacidade de concentração urinária e
natriurese, acidose tubular renal, nefrite túbulo-intersticial, evoluindo para doença
renal crônica, hipercalcemia e diabetes insipidus nefrogênico, este o mais freqüente
deles. A nefropatia crônica correlaciona-se com a duração do uso de lítio. Deve-se ter
como padrão o hábito de se pedir exames laboratoriais no acompanhamento do
paciente para se investigar problemas renais, antes e durante a terapia com o lítio.
Apesar dos efeitos colaterais dermatológicos ocorrerem com freqüência, existem
poucos estudos controlados, investigando a prevalência e a fisiopatologia desses
efeitos relacionados com a litioterapia. Da mesma forma, os mecanismos pelos quais
o lítio induz mudanças na pele ainda não foram estabelecidos, sendo que duas
dermatoses mais prevalentes relacionadas com ele são a acne e a psoríase. No
presente trabalho, abordaremos a patogênese, a apresentação clínica, os aspectos
histopatológicos e o tratamento da nefrotoxicidade e das alterações dermatológicas
induzidas pelo lítio.