Resumo:
Não se tem notícia de nenhuma aproximação entre Margaret e Simone, tampouco de referências, uma em relação à outra, em suas obras publicadas. No entanto, lendo suas autobiografias e contrastando suas obras, é difícil resistir à tentação de colocá-las frente a frente num debate. Afinal, se tratam
de duas mulheres que, não apenas romperam com muitos dos padrões impostos pelas ideologias de gênero então vigentes — que de fato inventaram suas vidas -- como também procuraram falar, cada uma à sua maneira, às mulheres de sua época. Neste trabalho, portanto, articulo um diálogo possível entre as duas, extraindo trechos de seus trabalhos, Macho e Fêmea de M.Mead, e O Segundo Sexo de S.De Beauvoir. Mas, antes, retraço alguns momentos de suas vidas que, de uma forma ou de outra, refletiram-se em suas obras e tiveram conseqüência para outras mulheres da época. Como se verá adiante, apesar das divergências em
perspectiva, as trajetórias de Simone e Margaret tiveram pontos em comum -- inclusive no que tange às suas origens. Ambas eram, por assim dizer, senhoras de “fino trato”, de famílias da classe média alta, que se recusaram a enquadrar-se nos padrões ditados para mulheres da sua estirpe.
Descrição:
Trabalho apresentado originalmente ao V Simpósio Baiano de Pesquisadoras (es) Sobre Mulheres e Relações de Gênero, realizado em outubro de 1999 pelo NEIM/UFBA, e publicado em na coletânea Um Diálogo com Simone de Beauvoir e Outras Falas, organizado por Cecilia Sardenberg, Alda Britto da
Motta e Márcia Gomes. Salvador, Bahia:NEIM/UFBA, 2000, p.75-107.