Resumo:
Embora a sócio-antropologia da menstruação ainda esteja por ser mais amplamente desenvolvida, é possível afirmar que assim como o 'morrer', também o 'menstruar' manifesta-se como fato social e cultural, implicando em crenças, condutas, atitudes ou mesmo rituais próprios associados às concepções nativas sobre a menstruação. Isso se aplica não apenas às sociedades ditas 'primitivas' como também às 'modernas', contemporâneas, nas quais se inclui certamente a sociedade brasileira. Neste artigo, portanto, proponho-me a delinear alguns parâmetros teórico-metodológicos básicos para se pensar a menstruação numa perspectiva sócio-antropológica. Valho-me para tanto de exemplos extraídos de narrativas que bem ilustram como os diferentes significados e condutas associados ao 'menstruar' obedecem lógicas culturalmente específicas, configurando o que aqui denomino de ordens prático-simbólicas da menstruação. Detenho-me, assim, na análise dos elementos constitutivos dessas ordens, argumentando que elas atuam como elementos estruturantes e, simultaneamente, estruturados no jogo das relações sociais no qual se tecem as ideologias e identidades de gênero.
Descrição:
Uma versão ampliada deste trabalho foi apresentada ao Encontro Nacional, Enfoques Feministas e as Tradições Disciplinares nas Ciências e na Academia; Desafios e Perspectivas. Niterói, Rio de Janeiro, 16 a 19 de agosto de 1994. Na elaboração deste trabalho, contei com os comentarios valiosos da equipe do NEIM e do Grupo de Estudos sobre a Saúde da Mulher - GEM, da Escola de Enfermagem da UFBA, principalmente das colegas e alunas que participaram dos seminarios do Grupo de Estudos sobre Relações de Gênero e Condição Feminina do NEIM. Nesta versão, procurei incorporar as sugestões oferecidas pelo comitê editorial e de consultores desta revista. Sou agradecida a todos, embora única responsável pelos possíveis enganos aqui contidos.