Resumo:
Recupero neste ensaio algumas contribuições de autores herdeiros do pragmatismo clássico e do chamado “empirismo radical”, com destaque à filósofa da ciência Isabelle Stengers. O meu argumento é que a originalidade de suas proposições, ainda parcamente traficadas para os estudos de gênero e sexualidade, pode ser bastante proveitosa para repensarmos nossa prática enquanto estudiosos, de modo geral, de grupos historicamente subordinados. Ocupado com este propósito, transito entre a teoria da interseccionalidade, posta em revista, e uma sumária e introdutória exposição do que tem ficado conhecido como o turno especulativo da teoria social contemporânea. Neste pouco ortodoxo percurso, traço um deslocamento — ao meu ver, de magna consequência ética — da ênfase na fraqueza ao realce da força dos sujeitos a quem vamos ao encontro no trabalho de campo.