Resumo:
Utilizando o arcabouço teórico-metodológico dos Estudos Descritivos da Tradução, o objetivo desse artigo é apresentar o cotejo entre Angústia (1941), de Graciliano Ramos, e sua tradução para o inglês, Anguish (1946), de Louis C. Kaplan, a fim de verificar as modificações textuais feitas à tradução para acomodá-las ao sistema literário estadunidense. O resultado do cotejo mostra que apesar do controle governamental estadunidense sobre o projeto tradutório do qual Angústia fez parte, a tradução preservou a fragmentação moral, mental e social do protagonista Luís da Silva, potencializando e desdobrando essa representação em língua inglesa. Para analisar essa nova textualização, recorre-se às pesquisas que descortinam as condições literárias e sociais que possibilitaram determinadas obras surgirem ou circularem em certos espaços ou períodos. Assim, o segundo movimento deste estudo concentra-se nos fatores literários e sociais que possibilitaram a circulação de Anguish no sistema literário estadunidense.