Resumo:
No Brasil o debate sobre a Obra de Arte Total pautou-se na chamada Síntese das Artes Maiores - a Arquitetura, a Pintura e a Escultura. Veremos como esse debate internacional e nacional se entronca com a obra de João Filgueiras Lima, o Lelé, ao assumir certas descobertas e arriscar abordagens próprias, levando algumas idéias às últimas consequências. O fio condutor são algumas visões do pintor francês Fernand Léger e do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Lelé perseguia a idéia da integração das artes, em vez da síntese, e a realizou na parceria com um artista plástico, Athos Bulcão. Após um levantamento da policromia desenvolvida pelo arquiteto em sua obra, e da participação de Athos, com crescente integração, investiga-se como estas se relacionam com o debate da Síntese das Artes: o desenvolvimento da relação entre Pintura e Arquitetura, com a arte abstrata e a policromia arquitetônica, e as discussões seus efeitos nas paredes e no volume; o papel dos azulejos na tradição modernista brasileira e na obra de Lelé, assim como do concretismo e sua relação possível com a arquitetura; da escultura moderna, com os avanços na procura da profundidade; por fim, da aplicação das cores nos hospitais. E, dentro desse panorama, como podemos entender a parceria entre João Filgueiras Lima e Athos Bulcão, e conjecturar o resultado da noção prática de uma arte plástica de acompanhamento no ambiente construído.