Resumo:
O texto pretende uma pequena contribuição à área de Preservação Patrimonial ao estudar o dilema do reconhecimento da obra de arte, isto é, do valor artístico de um dado ente. Ao abordar o conhecimento em geral, salientamos o seu aspecto aprendido, que inclui mesmo os sentidos e o reconhecimento de padrões, e ainda uma crítica à antinomia objetivo/ subjetivo. Ademais, consideramos sua condição sociológica no multi-elitismo da sociedade moderna e articulamos do mero clichê à obra de arte, considerando-se esta em sua complexidade e síntese, em um modelo que chamamos pirâmide da informação. Ao vermos o conhecimento e reconhecimento da obra de arte, defendemos que sua compreensão depende de uma mescla de conhecimento histórico – pois a cultura é um debate intergeracional em constante rearranjo, fornecendo os elementos para uma linguagem - e de juízo sensível – já que a obra de arte possui um conteúdo vivencial, expresso naquela linguagem. Essa plataforma conceitual considera, ainda, as heteronomias expressas nas revoluções culturais, e esboça um modelo de sua sucessão, considerando certos indivíduos como fundamentais para o reconhecimento coletivo da inovação e mudança de sensibilidade. O reconhecimento institucional da obra de arte – o dilema do técnico - aparece como problemático por essa exigência simultânea de conhecimento e sensibilidade e pelo caráter minoritário das revoluções culturais, que tornam o reconhecimento do unicum algo que foge irremediavelmente à mera formação técnica.