Resumo:
No meio de todos os governos que decidiam o destino dos homens, a maioria deles despóticos, governados por soberanos ou magistrados cuja autoridade se estendia sobre pessoas e propriedades, existia um império que reivindicava influência na mente humana, denominado como República das Letras. Fruto da modernidade, a República das Letras era uma espécie de comunidade (de certa forma) livre, que ao compartilharem valores comuns – cosmopolitas, tolerantes e racionais – garantiriam as trocas colaborativas de conhecimento. Desse modo, como o espaço literário tinha uma dinâmica distinta do reino político, ao ser mais fraterno entre os seus, os conflitos se tornaram evitáveis para buscar-se a máxima do saber. Com os séculos XVII e XVIII, esta concepção adquiriu maturidade e chegou às terras americanas juntamente com uma otimista expectativa em prosperar à “luz da razão”. Por conseguinte, esta dissertação estuda quais significados os hispano-americanos deram em associar-se a esse vasto reino da mente, diante das suas realidades particulares, baseando-se por quatro conceitos continuamente referenciados como classificadores da República das Letras, são eles: espaço de aprendizagem; extrapolação dos limites geográficos (redes de comunicação); igualdade entre seus membros; liberdade de expressão. A análise desenvolve-se por intermédio dos periódicos iluministas hispano-americanos, criados nas duas décadas finais do século XVIII, tendo, como objetivo principal, comprovar a iniciante, porém, empenhada, interlocução entre regiões distintas da Hispano-América (e da América com o resto do mundo), em uma aberta tentativa de robustecer o espaço literário americano. Dessa forma, a pesquisa propõe compreender se haveria, nos planos literários americanos, o indicativo de uma consciência nacional em formação.