Resumo:
Introdução: A leishmaniose tegumentar americana (LTA) apresenta formas clínicas bem
definidas, como a leishmaniose cutânea (LC), a leishmaniose mucosa (LM), a leishmaniose
cutânea difusa (LCD) e a leishmaniose disseminada (LD). Adicionalmente cerca de 1% dos
pacientes apresentam lesões não usuais ou atípicas, por essas diferirem da descrição clássica,
com lesões não ulceradas ou úlceras grandes. A LC se caracteriza por úlceras bem delimitadas
com bordas infiltradas elevadas e com fundo granuloso. A LC é uma doença que compromete
predominantemente adultos, jovens do sexo masculino, mas o número de crianças e idosos
com a doença tem aumentado nos últimos anos. Todavia existe uma escassez de trabalhos
sobre a LC nos idosos. Objetivo: Comparar as manifestações clínicas e reações adversas ao
tratamento em pacientes idosos e jovens com LC acompanhados no Posto de Saúde de Corte
de Pedra, estado da Bahia. Material e Métodos: Participaram do estudo 35 pacientes idosos
com idade entre 60 e 80 anos e 36 pacientes jovens com idade de 18 a 40 anos com
diagnostico de LC que procuraram o centro de referência de Corte de Pedra no período janeiro
de 2015 a setembro de 2016. Todos os pacientes foram tratados com antimonial pentavalente,
o glucantime (Sanofi-Aventis) na dose correspondente a cada paciente e foram realizados os
exames laboratoriais, hemograma completo, sódio, ureia, creatinina, glicemia, potássio, TGOTGP
e eletrocardiograma. Foram avaliados também os efeitos colaterais em todos os
pacientes. Resultados: Dos 72 pacientes selecionados para participarem do estudo, 1 foi
excluído porque o diagnostico não foi confirmado. Não houve diferença entre os 2 grupos
com relação a duração da doença e localização e tamanho da lesão. Enquanto em 58% dos
idosos não foi detectado linfadenopatia, este achado foi observado em 86% dos jovens
P<0.05. Os dois grupos responderam ao tratamento com antimonial de forma semelhante. Não
houve diferença com relação à ocorrência de reações adversas como náuseas, vômitos,
artralgia, mialgia, mas a frequência de alterações eletrocardiográficas foi mais elevada entre
os idosos com (54%). Conclusões: A alta frequência de alterações eletrocardiográficas e a
ocorrência de um óbito entre os idosos durante o tratamento indicam que drogas alternativas
ao antimonial devem ser utilizadas para tratamento da leishmaniose cutânea em indivíduos
acima de 60 anos de idade.