Resumo:
Após a descoberta do bandamento no esqueleto dos corais na década de 70, e da
incorporação de metais traço, o potencial de registro ambiental (proxy) dos corais tem sido
utilizado no mundo todo, por diversos pesquisadores. Uma das grandes dificuldades em
mensurar a concentração dos metais traço, incorporados na estrutura esquelética dos
corais, é eliminar a contaminação, decorrente da coleta e do manuseio das amostras, no
momento do corte com serra diamantada, assim como do pré-tratamento das amostras.
Para tanto, diversos procedimentos de descontaminação foram desenvolvidos para o prétratamento
das amostras coralíneas. No entanto, nenhuma destas metodologias descreve
como cada etapa do procedimento atua nas amostras, ou quais são os metais removidos e
as características destas remoções. Neste trabalho foram avaliados, a taxa de crescimento
para colônias do coral Siderastrea stellata, três procedimentos de descontaminação
(Guzmán e Jarvis (1996), Bastidas e Garcia (1999) e David (2003)) e quais metais
relacionados a contaminação ambiental são incorporados na matriz esquelética do coral S.
stellata . Os resultados mostraram que as colônias coletadas na Baia de Todos os Santos
apresentaram uma taxa média de extensão linear de 3,8 ± 0,4 mm/ano. Para as amostras
esqueléticas de coral Siderastrea stellata, ocorre contaminação principalmente pelos metais
Fe, Ni, Cu e Zn. Esta contaminação pode estar relacionada à manipulação das amostras por
instrumentos metálicos. Os metais traço incorporados no esqueleto do coral S. stellata
foram Co, Fe, Se, Ni, V, Al, Mn, Zn, Ba e Cu.