Resumo:
Salvador é conhecida pela sua beleza, pelo acolhimento de sua população
majoritariamente negra, reflexo do seu passado escravista. Tida como a cidade mais
negra do mundo fora da África, Salvador recebeu em seu porto aproximadamente
407.100 escravos entre 1786 e 1850 (GRAHAM, 2013, p. 41). Com os negros vieram
suas próprias tradições religiosas, sociais, econômicas, que sem sombra de dúvidas
influenciaram e ainda influenciam a sociedade soteropolitana. Diversos relatos de
viajantes narram a efervescência do centro comercial da cidade, admiram-se com a
destreza das negras em equilibrar os balaios sobre a cabeça, elogiam a culinária local
inevitavelmente influenciada pelas mulheres negras, já que eram elas em grande maioria
as responsáveis pela venda e preparo dos alimentos. No entanto, com o passar dos anos
essas tradições quando não esquecidas pelas novas gerações, são modificadas de acordo
com a necessidade, determinados itens antes utilizados pelas camadas populares, se
enobrecem e passam a caras iguarias, ou mesmo denominações de atividades são
modificadas por conta de inovações tecnológicas como é o caso do queimadeiro. A
história do povo negro, especialmente no Brasil, é feita de resistência e adaptação e não
poderia ser diferente com o que se põe a mesa, ou o que se vende nos balaios das
quituteiras.