Resumo:
Muitos dos registros de um povo, bem como sua cultura, sua organização social
e suas crenças podem ser observados na escolha dos nomes próprios, prática
antiquíssima e que, em face desses aspectos, merece a atenção da linguística e
dos seus estudiosos. Neste artigo, busca-se aliar pesquisas em morfologia, sob
perspectiva da morfologia construcional, ao estudo da onomástica – ciência que
se dedica a investigar as origens e os processos que formam os nomes próprios.
Esta pesquisa se dedica, mais particularmente, aos nomes de pessoas, ramo
denominado de antroponímia. A escolha de um antropônimo não é desmotivada
e pode obedecer a aspectos como o fonético, etimológico, semântico e/ou, ainda,
atender ao desejo da unicidade, fator primordial para criação de neologismos
antroponímicos. Nesta investigação, buscou-se observar a utilização de
morfemas germânicos na construção de antropônimos neológicos devido ao
fator histórico da ocupação da Península Ibérica por povos germânicos, que
trouxe reflexos para o sistema antroponímico do Brasil, país de colonização
portuguesa. Algumas análises foram feitas a partir do mesmo corpus utilizado
no projeto “Todos os nomes”, entre 2007 e 2009, no âmbito do Programa para a
História da Língua Portuguesa (PROHPOR). O estudo em questão sugere que os
neologismos antroponímicos criados no Brasil têm por base o modelo
morfolexical dos nomes próprios germânicos que foi herdado através da
colonização portuguesa.