Resumo:
As criações de pequenos ruminantes no Brasil, em especial na região Nordeste podem sofrer restrições vinculadas à oferta de alimentos, principalmente em épocas de escassez de água. É comum o uso das pastagens nativas como principal fonte da alimentação dos animais, e que aliada à baixa qualidade do solo predispõem o aparecimento de deficiências nutricionais. Entre elas a deficiência de cobre é importante por produzir prejuízos em virtude da alta morbidade e mortalidade, acometendo com maior frequência os recém nascidos. A doença pode ser manifestada na forma de ataxia enzoótica, definida como a máxima carência de cobre em cordeiros e cabritos até 180 dias de vida. A ataxia enzoótica é uma doença metabólica caracterizada clinicamente por paralisia motora progressiva do trem posterior e histopatologicamente por hipomielinização do sistema nervoso central. O exame histopatológico e a dosagem hepática de cobre confirmam o diagnóstico da deficiência cúprica. Sendo o cobre um mineral presente na ação de diversas enzimas e reações do metabolismo dos animais ruminantes, assim como as perdas econômicas causadas pelas mortes de animais em casos de deficiência deste mineral, o presente trabalho teve como objetivo avaliar os aspectos envolvidos com a disponibilização, absorção e utilização do cobre pelos ruminantes, revisar sobre a etiopatogenia, achados clínicos e laboratoriais, formas de prevenção e controle da deficiência cúprica e descrever um surto de ataxia enzoótica em uma propriedade produtora de caprinos e ovinos no estado da Bahia, onde ocorreram quarenta mortes durante o ano de 2013. Foram realizados os exames de histopatológico da medula espinhal e a dosagem hepática de cobre para a confirmação desta deficiência.