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Title: A construção de zonas lúdicas no hospital: transformações sobre tempo, espaço e rotinas por crianças
Authors: Bahia, Priscila Mary dos Santos
???metadata.dc.contributor.advisor???: Bichara, Ilka Dias
Keywords: Hospital.;Criança.;Contexto de desenvolvimento.;Enfermaria.;Brinquedoteca.;Brincadeira.;Zona lúdica.
Issue Date: 16-Aug-2017
Abstract: A hospitalização infantil configura-se como uma realidade constante na vida de algumas crianças, principalmente aquelas portadoras de doenças crônicas. Desse modo, sugere-se que a instituição hospitalar também seja considerada um contexto de desenvolvimento infantil já que, além de serem submetidas às intervenções terapêuticas, as crianças estabelecem e desenvolvem relações com a equipe de saúde, com os acompanhantes e com os pares, assim como convivem com regras e rotinas. Mediante essa relação com o hospital, as crianças utilizam-se do seu espaço para o envolvimento em brincadeiras, mantendo a atividade principal da infância e modificando o ambiente rígido através da reinvenção criativa do instituído. Considerando esses aspectos, o presente trabalho teve por objetivo analisar como as crianças constroem zonas lúdicas, através das brincadeiras espontâneas, transformando o espaço, o tempo e as rotinas hospitalares. Para isso, foram observados os comportamentos lúdicos de 18 crianças, com idades de seis a 12 anos, internadas em um hospital localizado em Salvador-Ba. Os registros foram feitos no ambiente da enfermaria e/ou da brinquedoteca em sessões de 30 minutos, resultando 23 registros observacionais. Aliada à observação, foi realizada também uma entrevista mediada por um desenho com as crianças, que possuía a seguinte questão disparadora: “Desenhe o lugar que você mais gosta de brincar aqui no hospital”. Os dados foram desenvolvidos em três seções: Brincando na enfermaria, Brincando na brinquedoteca e Contações sobre os lugares de crianças no hospital, no intuito de destacar as especificidades de cada espaço, bem como a da entrevista. Os resultados mostraram que há diferenças conforme o contexto no qual as crianças estão localizadas. Na enfermaria, foi identificado o imperativo do “Não Pode” e, na brinquedoteca, o imperativo do “Brinque”, o que interferiu diretamente na construção das zonas lúdicas pelas crianças. Sendo assim, no primeiro espaço, as brincadeiras tenderam a se limitar ao ambiente dos quartos enquanto que, no segundo, invadiram o corredor, extrapolando a área delimitada da brinquedoteca. Ao brincar, as crianças envolveram-se prioritariamente em atividades com parceria em detrimento de ações solitárias, tendo sido significativa a interação com adultos, e não apresentaram preferências de acordo com o gênero e a idade. Notou-se ainda que os grupos de brincadeiras formados foram majoritariamente heterogêneos, revelando uma baixa segregação entre as crianças hospitalizadas. Verificou-se também que as brincadeiras não tiveram associação direta com a situação de adoecimento e tratamento, contudo, mostraram-se sensíveis à realidade hospitalar. Na entrevista, a brinquedoteca apareceu como o lugar preferido das crianças para brincar no hospital, especialmente em decorrência dos brinquedos disponíveis na mesma, o que demarca a diferença qualitativa desse lugar em comparação aos outros espaços da instituição. A partir disso, constata-se a atratividade da brinquedoteca entre as crianças, sendo considerado benéfico à inclusão da mesma na rotina institucional além do frequente cuidado à doença. Apesar da vivência hospitalar, percebeu-se que as crianças não limitaram a sua existência enquanto brincantes, elas envolveram-se ativamente na construção das suas brincadeiras e zonas lúdicas, adequando-se à realidade contextual, mas também rompendo com a tradição disciplinar da instituição. Dessa forma, este estudo aponta para o protagonismo das crianças, mesmo diante de uma condição de enfermidade, protagonismo esse que a retira do lugar de objeto de cuidados e a coloca enquanto sujeito de desejo e criação.
The hospitalization of children is a reality in some kids´ lives, especially those who have a chronic condition. Thereby, it is suggested that hospitals also be considered as an environment of children´s development because besides being submitted to therapeutic treatments, children also establish and develop relationships with the health care team, with their companions and with other children, and they have to live with rules and routines as well. On this relationship with the hospital, children use its space to play, preserving the main activity of childhood and making some change in the strict environment through the creative reinvention of what is instituted by the hospital. Considering these aspects, this paper aims to analyze how children build recreational areas through free play, transforming the hospital´s space, time and routines. For this purpose, the recreational behavior of eighteen children, from six to twelve years old, admitted to a hospital located in Salvador-Ba was observed. The observation records were done in the hospital´s ward and/or in the playroom during thirty-minute sessions, with a total of 23 observation records. Besides the observations, each child was asked to make a drawing based on the theme “draw the place you most like to play at here in the hospital” and an interview mediated by each child´s drawing was done. In order to point out the specific features of each hospital area, as well as the interview, data was analyzed in three sessions: Playing in the hospital ward, Playing in the Playroom, and Story-telling about children’s places at the hospital. Results have shown there are differences according to the environment where the kids were. In the hospital ward, the command “It´s forbidden” was identified while in the playroom, the command was “Have fun”, and that interferes directly in the building of recreational areas by the children. So, in the hospital ward, the games were limited to the bedrooms, while in the playroom there was a tendency for games to also be played in the hall, beyond the area of the room. By playing, kids got involved primarily in activities with a partner rather than lonely actions. The number of interactions with adults was significant and preferences according to gender or age were not observed. It was noticed that the groups were mostly heterogeneous, showing low segregation between hospitalized kids. It was verified that the games were not directly associated with illness or treatment, however, kids showed sensibility to hospital reality. During the interview, the playroom featured as children´s favorite place to play in the hospital, especially due to the toys available there, what points out its qualitative difference when compared to other areas of the institution. From this, it is possible to determine how attractive the playroom is for the kids, and how much its insertion in the hospital routine, along with health care, is considered beneficial. Despite hospital daily experience, it was possible to notice that kids didn’t change their playful existence. They got actively involved in the development of their recreational areas and games, adjusting to the environment, but also breaking through the hospital´s disciplinary tradition. Therefore, this study points out children´s active engagement even when faced with sickness, fact that removes them from the place where they are only the object of care, and puts them in the place of subject, one who has desires and powers of creation.
URI: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/23995
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